Avenida Hippie #13

Bloco D, fila sete, barraca 71

Luna Halabi e Priscila Ramos espalham abraços e mensagens positivas com as peças da Clóh Rota411

Abraça que passa. A frase chama a atenção de quem anda em frente à barraca de três tons: branco, cinza e preto. Não se engane, caso as cores não sejam das mais alegres para você, as mensagens estampadas em cada peça são as mais positivas possíveis. A barraca de Luna Halabi é coisa de família: a avó e a mãe já eram feirantes desde os tempos de Praça da Liberdade. O produto também é o mesmo: confecção, blusas de malha.

A gente ficou um tempo com a barraca parada e logo em fevereiro, quando começou uma crise na área da minha irmã que é arquiteta. Eu sou professora de história, acabando de formar, começando o mestrado, então eu estava meio agarrada de trabalho. Aí a gente pensou, “vamos fazer umas blusinhas, vamos aproveitar, a gente precisa fazer alguma coisa”. Nós vemos muita coisa de São Paulo aqui, muita coisa comprada pronta e a gente falou que não iria fazer isso de jeito nenhum e que iríamos pensar em alguma coisa que nós mesmas déssemos conta de fazer, então vieram blusas.

Além da irmã, Luna tem o apoio da amiga Priscila Ramos na barraca. Mas o negócio vai além da Feira Hippie, a Clóh Rota411 também tem seu público nas redes sociais e loja virtual. Apesar de trabalhar com malhas, como a mãe, Luna trouxe uma nova roupagem para suas peças. “O corte é tudo aquilo que a gente mais gosta na vida: vestido sem apertar, blusa soltinha, calça também. Tudo o que a gente gosta no nosso armário a gente faz e até hoje é assim”, explica Luna.

A troca entre as irmãs é constante na hora da criação e as ideias surgem até de cenas do cotidiano da família. “ A gente começou com quatro frases, e a que mais vende é a ‘abraça que passa’, que surgiu quando a filha da minha irmã caiu e ela disse ‘abraça a mamãe que passa’, sempre escolhemos frases ligadas a amor, coisas simples e tal”.

Desde os quatro anos de idade na Feira Hippie, Luna coleciona casos. Da sua infância, se lembra da avó compartilhando histórias da neta com os vizinhos de barraca, recorda às madrugadas — chegava às 4h da manhã e do dinheirinho que a Dona Najila lhe dava pela ajuda aos domingos. Hoje, proprietária do espaço, tem seus “causos” de feirante: “a gente tá aqui e o pessoal diz abraça que passa, vem e abraça a gente, sempre, sempre, sempre (risos). Passa um aqui ah, deixa eu ver se passa mesmo, aí vai e abraça. A gente se diverte”.

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