Avenida Hippie #15
Bloco Y, barraca 32

O relato de hoje é uma receita de lição de vida e persistência. Feliciano Caetano de Souza está na Feira Hippie há 29 anos, desde a época da Praça da Liberdade. Apesar de vender doces, sua trajetória na Feira teve passagens bem amargas. A feitura dos doces não começou por hobby, mas por necessidade. Ao se mudar com a esposa, Lêda Oliveira, para um novo bairro, percebeu que uma das vizinhas vendia doces e foi até ela para aprender.
Acabou que ela só passou o que gastava em cada receita e, na curiosidade, a gente criou os nossos próprios doces. Fomos levando muita cacetada, apanhamos bastante e até hoje a gente continua aprendendo. Aqui a gente vende cocada, pé de moleque, os bombons caseiros, docinhos, bala delícia e pirulito de chocolate.
De lá pra cá, Feliciano avalia que o conhecimento apreendido ao longo do tempo na fabricação dos docinhos foi fundamental para o sucesso da barraca. Hoje eles, além de venderem na Feira Hippie, trabalham com encomendas e em eventos. Não há dúvidas de que foi e continua sendo trabalhoso “encontrar o ponto certo” da vida.
Um dos casos foi que a gente não vendeu muito bem aqui na Feira e era dia de Nossa Senhora da Piedade. Aí a gente arriscou, eu não conhecia nada, menininha tava no colo ainda praticamente, com um aninho. Chegamos lá na Serra da Piedade, o pessoal tava descendo e a gente tava subindo, aquele frio. Sei que foi um tiro no pé, chegamos com as pessoas indo embora da igreja e fizemos pelo menos nossa passagem de volta. Só que nesse voltar, aconteceu dos ônibus não pararem porque estava de noite e era perigoso parar naquela hora. Até que um ônibus parou, só que apareceu uma outra pessoa também e o motorista falou que só dava pra levar uma, aí eu falei pra minha esposa com minha filha subirem no ônibus. Acabou que o motorista liberou nossa família, a outra pessoa ficou pra trás.
