Avenida Hippie #20

Bloco B, fila dois, barraca um

Essa barraca também é das antigas, chegando aos 40 anos e sem crise de meia idade. De longe já é fácil saber que estamos próximos de encontrá-la, não pela visão, mas pelo olfato. O cheiro adocicado nos leva a um aglomerado de gente que cerca o local de destino. Atrás da barreira humana estão Celso e Conceição, os alquimistas de um dos aromas mais agradáveis da Feira Hippie.

Celso Vianei Cândido faz de tudo: leciona aulas de artesanato, borda tapeçaria e em pedraria, faz ponto-cruz, crochê, tricô, sabonetes e difusores de ambiente. Se tiver mais alguma coisa para aprender ele garante que aprende. Trabalhos manuais são sua paixão.

O pessoal não dá muito valor ao artesão, isso aí você sabe. Aqui na Feira Hippie temos o problema da concorrência que vende produtos industrializados, mas a nossa barraca mantém a parte do artesanato. A gente vai em São Paulo, procura coisas diferentes para poder fazer, nunca compramos nada já feito. Até essas florzinhas, essas coisas miúdas todas, a gente compra o material e faz. Tudo, tudo, tudo criado.

Mostrando que realmente sabe fazer de tudo e mais um pouco nas artes e no artesanato, Celso conta que começou sua trajetória como expositor quando a Feira ainda acontecia na Praça da Liberdade. Por lá, aos sábados, expunha seus quadros e aos domingos auxiliava a irmã. Dos quadros, caixas decoradas e porta-joias, ele se voltou aos sabonetes, difusores e itens para o lar, como porta-guardanapos e cobre-jarras.

Sobre o que mais gosta na Feira, Celso não pensa duas vezes: “A clientela. Nós temos clientes no Brasil inteiro, até no exterior. A gente despacha pelos Correios, atendemos pedidos pelo Instagram, pelo site e pelo telefone. As pessoas fazem encomenda e a gente traz, deixa separadinho: lembrança para batizado, nascimento, casamento, festa de 15 anos, bodas, todo tipo. Quando a gente não tem o que a pessoa precisa, ela traz uma ideia e tudo, e a gente trabalha em cima daquilo para atender da melhor maneira possível, e temos sugestões também”, comenta.

Por falar na clientela, histórias não faltam. A que Celso e Conceição se recordam é de como seus produtos passam de geração em geração:

Conceição: aqui vêm clientes que tinham neném dentro da barriga e hoje elas trazem as crianças com sete anos (risos).
Celso: outro dia, apareceu uma moça aqui que compra na nossa mão há sete anos. Veio com o menino na barriga e hoje ele tá aí enorme (risos). A gente fideliza muito o cliente. O meu produto é diferenciado, desde o material até o acabamento, preço e tal. O pessoal chega aqui e diz que encontra mais barato, mas na hora que olha a qualidade e o tamanho, dá uma conferida em outras barracas, acaba voltando e comprando aqui.
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.