O meu parto normal

Quando eu recebi a notícia de que eu iria deixar de ser a Jordana para se tornar a mãe do Pietro, a minha vida virou de cabeça para baixo, levei alguns dias para assimilar tudo o que estava para acontecer, assim que as ideias se ajeitaram, eu decidi que queria trazer o Pietro ao mundo da maneira mais natural possível e eu quase consegui.

Os meses seguintes foram de muita leitura, seriados americanos sobre o tema, conversas com mamães que já haviam passado pela a experiência e com o obstetra responsável pelo meu Pré-Natal.

O medo foi um companheiro constante.

Será que eu seria capaz de trazer uma criança ao mundo?

“Mas Jordana, a mulher é fisiológicamente preparada para isso”

Tá, mas eu não conseguia lidar com as minhas cólicas menstruais, imagina com uma contração?

11 de Maio de 2015 depois de tomar um chá de cadeira na maternidade junto com o Papai do Pietro, ás 19:30hrs eu recebi a noticia de que o meu parto seria induzido, estava tudo bem com o Pietro, mas o meu líquido amniótico estava bem abaixo do normal para idade gestacional.

Eu demorei para associar a indução do parto com o nascimento do Pi e quando eu associei, tremi mais do que vara verde.

Nunca senti algo parecido com que eu senti naquela noite. Foi um combo de alegria, medo, fim da ansiedade, início de uma outra etapa de ansiedade, frio na barriga, uma vontade de sair dando estrelinhas pelo consultório misturada com a vontade de sair correndo dali.

Tudo de uma vez só.

Do processo de medicações para indução do parto até o rompimento da minha bolsa foram mais de 13hrs, nesse intervalo eu passei uma noite inteira acordada por conta da ansiedade, andei pelos corredores do Pré-parto, fiz abaixamento e tremia na base quando ouvia as outras crianças nascendo.

Romperam a minhã bolsa por volta das 10hrs da manhã do dia 12 de Maio e então passei a sentir contrações ritimadas.

A partir dai uma equipe de anjos assumiu o meu Parto, 2 Doulas, 2 Fisioterapeutas e 1 Enfermeira, todas com toda paciência e carinho do mundo comigo. Ás 4hrs seguintes foram mais fáceis por causa delas.

Recebi massagens que ajudaram a aliviar a intensidade das contrações, fui para a bola para ajudar na dilatação, me deram banho e até um copo de suco de laranja eu ganhei.

Me incentivaram o tempo todo

Procurei manter a calma, consegui... Até o bicho pegar e as contrações começarem a vir a cada 10 segundos. E coleguinhas, isso não é de Deus, você mal se recupera de uma e pá! Vem outra. Em meio a tudo isso, você precisa manter a lucidez para conseguir fazer força e empurrar o bebê.

É óbvio que não faltaram as clássicas gafes da menina Jordana. E foram muitas, a mais engraçada foi o medo da enfermeira nada delicada que rompeu a minha bolsa. Rezei muito para que ela não estivesse ali quando o Pietro coroasse, eu já estava imaginado ela pulando na minha barriga para ele sair ou usando uma Serra elétrica... Deus escutou minhas preces e ela precisou ir embora.

Mas eu estava tão atordoada por conta das contrações que comecei a escutar a voz dela (?). Implorava constantemente para as Doulas não deixarem ela chegar perto. Todo mundo rachando o bico e eu chorando de dor e de medo da mulher que já havia ido embora.

O Papai do Pietro esteve comigo o tempo todo. Segurando a minha mão e atendendo as ligações da Regiane que aconteciam a cada 5 minutos. Algumas vezes conseguia escutar o diálogo:

-Marcelo, já nasceu?
-Não. Ela está com 6 dedos de dilatação.
-Ai meu Deus, ela está sofrendo muito, ela não vai conseguir, não ela vai, ai a minha irmãzinha…

Tadinho, sofreu tanto quanto eu. Fiquei com tanta dó dele que pedi para que ele fosse dar uma volta, pouco depois da sua saída o Pietro finalmente coroou e pasmem, consegui falar o número do meu celular que estava com ele para avisarem que o Pietro estava nascendo. Ele conseguiu chegar a tempo de acompanhar o nascimento.

Por eu ser a última gestante a dar a luz, as outras enfermeiras foram acompanhar o meu parto, e o nascimento do Pietro teve mais público do que os jogos do São Paulo.

Ás 14:25hrs do 12/05/2015 o Pietro chegou ao mundo. Sob as minhas lágrimas e sob as lagrimas de toda a equipe que estava ali. Ele sem chorar, apenas emitindo um som que mais parecia um “lá estava tão quentinho”, sereno, cheio de vida! Olhos lutando contra luminosidade, mas curiosos, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo ali. O Papai com muito medo cortou o cordão umbilical e ficou ali do nosso lado. Eu estava exausta, mas queria observar cada detalhe daquele novo ser, parecia que eu havia esperado a vida inteira para embalar.

Foi a experiência mais extraordinária da minha vida, nada se compara.

Desde que o bebê e a mãe não estejam correndo riscos, eu recomendo (não estou impondo).

Essa foi a equipe linda que me ajudou a trazer o Pietro ao mundo.

Ah, e foi assim o meu parto normal.

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