Usando a palheta de cores para pintar a maternidade

As pessoas vivem me perguntando qual é a sensação de ser mãe?

Como é a maternidade?

As respostas para essas perguntas são bem relativas, rs

E é ai que entra a minha palheta de cores.

A maternidade não é cor-de-rosa como nos comerciais de produtos infantis, nas novelas ou nos filmes. Aliás, sem cometer injustiças, vocês já assistiram “Marley e Eu”? Com certeza já! Sabe a cena em que a Jenni, personagem da lindíssima, divisíssima Jennifer Aniston, coloca o Conor para dormir, ela toma todo cuidado do mundo para ele não acordar, de repente o Marley chega como um furacão, acorda o garoto. Ela pira e manda o John sumir com o Marley? Então… É mais ou menos aquilo ali o tempo todo, mas sem o Marley.

A Jenni está cansada ou melhor exausta e a exaustão nos leva ao limite.

Essa cena em especial merece sair das estatísticas de filmes que mostram a “maternidade cor-de-rosa”.

Saindo dos filmes e voltando para a palheta de cores.

Não estava nenhum pouco preparada para maternidade, ela chegou me atropelando, sem pedir passagem. A descoberta da gravidez foi inicialmente amedrontadora, com tons escuros e de incertezas, o preto deu passagem ao vermelho do amor no primeiro ultrassom, assim que eu escutei e vi aquele carocinho de feijão que não parava de se mexer. O azul bebê pediu passagem quando descobrimos que era o Pietro que estava a caminho. E a explosão de cores aconteceu quando ele chegou ao mundo, até hoje não consigo mensurar o que eu senti quando eu o vi pela primeira vez.

Essa explosão de cores, já deu lugar ao azul-marinho do blues pós-parto junto com o amarelo da felicidade de estar com o Pietro nos braços, que também cedeu lugar ao cinza escuro do cansaço, o marrom pede passagem quando eu questiono “o que eu poderia estar fazendo nesse exato momento, se ele não estivesse aqui”, turquesa marca presença quando eu penso no futuro…

Não é a tarefa mais fácil do mundo, vivemos sob a pressão de ter um alguenzinho dependente e que vai ser dependente para o resto da vida, abrimos mão (ainda que temporariamente) de sonhos, planos, privacidade e etc. Mas absolutamente tudo tem os seus dois lados, a maternidade não foge à regra, tudo depende da forma como encaramos tanto as coisas boas quanto as ruins e também, as “cores que vamos escolher para pintar cada momento”.

Eu optei por deixar minha palheta aberta, porque sei que o caminho é longo e eu quero continuar usando a infinidade de cores disponíveis para colorir o trajeto.