Empatia, deuses e monstros

Nossa mente tem a capacidade de transformar meros humanos em deuses e monstros. Mas não se engane, todos somos iguais: assim como nossos inimigos têm “qualidades”, os nossos amigos também têm “defeitos”.

As pessoas que gostamos, nós, quem gostamos, admiramos e até mesmo quem achamos “monstros” são apenas pessoas. Todas foram bebês, vieram do mesmo lugar. O rei, o mendigo, o guru, o ditador, têm sangue correndo nas veias e pertencem à raça humana da mesma forma. Nossas ideias podem ser diferentes, nossas atitudes e cada atitude que tomamos têm um motivo, por mais distorcido ou sagrado, por mais cruel o maravilhosa que ela seja, tudo isso faz sentido na mente de quem o executa.

Isso não quer dizer que você tem que manter pessoas que não te fazem bem na sua vida. Essas palavras são escritas apenas para que haja a reflexão sobre o poder real dessas pessoas, que é sempre o mesmo que o seu, pois todos somos iguais e temos o mesmo poder. A empatia nos impede de adorar pessoas como deuses e odiar como se fossem demônios, tira o poder dos outros quando mostra que todos somos iguais, nos aterra quando nos sentimos maiores do que somos e nos levanta quando nos sentimos abaixo do chão.

Empatia é se colocar no lugar do outro, tentar imaginar o que a pessoa sente e ver o mundo por seus olhos. É muito mais difícil do que parece, principalmente quando estamos ressentidos ou estamos nos sentindo inferiores. É deixar nosso orgulho de lado e todas as nossas certezas e acreditar que cada um tem seu próprio caminho e que não cabe a nós julgar ninguém, apenas seguir o nosso da melhor maneira possível e se afastar do que nos faz mal assim como nos aproximar do que nos faz bem. Empatia é ser livre ao libertar o outro.

Texto por Cida Neves