Always.

Biologia pra quê? (parte dois)

Parte dois: O mito do riponga.

Esta é a segunda parte das minhas considerações sobre a minha profissão, que começou aqui, e que por enquanto além desta terá mais duas partes, acredito eu.

Minha família é, aqueles que tem alguma formação, tanto do lado materno quanto paterno, um bando de contadores e administradores. Acostumados a lidar com números, papéis e escritórios, ficaram totalmente perplexos quando ao decidir fazer faculdade optei por Ciências Biológicas. Foi um bafafá.

Muitos diziam que iria morrer de fome, não teria estabilidade financeira, ia acabar fazendo bico aqui e ali, só que o mais engraçado foi o fato de estabelecerem que eu estava fadado a usar chinelinho de dedo e morar no mato. Eles estavam certos? Em parte, sim.

Vivendo de estereótipos

Muito embora eu e meus amigos biólogos tenhamos posse desse espírito curioso, corajoso e empreendedor, em toda a abrangência do termo, assim como meus pais, muitas pessoas acreditam piamente que a carreira do biólogo está diretamente relacionada ao riponga, bicho-grilo, pé-descalço, hippie, desapegado de bens materiais e até maconheiro (falar sobre isso é tabu? Ah, desculpe).

ISSO é um estereótipo.

Vamos começar logo chutando o balde:

Não é obrigatório saber fazer malabares para ser biólogo.

Também não é preciso usar saia rodada, nem bata, nem fumar maconha. Se for para estereotipar, é bom saber pelo que realmente une os biólogos, que é o desejo de saber mais sobre o mundo que vivemos, respeitando todas as formas de vida (por mais clichê que isso sempre parecerá).

Mas veja o meu ponto, esse clichê aí de cima naturalmente vai conduzir a tipos sociais mais contemplativo e apreciador de detalhes, ou como acredito que você prefere, coisas simples. Daí, acredito eu, venha o mito do riponga, mas a verdade está muito longe disso.

Pesquisadores trabalhando.

Do mato para o laboratório

As Ciências Biológicas vem do desmembramento do que entendemos como Ciência Naturalista, que chega às suas conclusões baseadas em observações e vivências, e é por isso que Darwin e Mendel, são naturalistas e não biólogos. Surpreende é que carreira com origem tão nobre e com representantes tão diletos e rompedores de status quo, hoje vive enredada pelos paradigmas que tão costumeiramente ousava enfrentar.

Mas sim, eles passavam bastante tempo no meio do mato.

Parece que continuamos parados no tempo, mas só parece. A biologia se desenvolveu, deixou cada vez mais de lado o aspecto contemplativo e afundou de cabeça nos testes estatísticos e tecnologia da informação. Hoje, o biólogo é um cientista muito mais arrojado do que antes. Não é mais suficiente estudar a anatomia dos seres vivos, é preciso entender o seu comportamento, suas relações e sua genética!

Observamos um movimento mundial de profissionalização dessa ciência, onde a contemplação está cada vez mais associadas aos momentos de lazer. O chinelinho de dedo tem sido paulatinamente substituída por equipamentos de segurança e computadores com alto grau de processamento. Os profissionais tem desenvolvido seus trabalhos cada vez mais dentro dos laboratórios, e extraído cada vez conjecturas a partir de informações de dados já coletados na natureza por outros pesquisadores.

Todas essas mudanças, não significam que o perfil do biólogo mudou, continuamos aqueles velhos amantes da natureza, o que tem mudado é a percepção dos outros sobre a biologia. Diante dos problemas ambientais, tem aumentado a sua importância e consequentemente os seus investimentos, mas continuamos tendo os mais diversos tipos sociais na carreira: o hippie, o laboratorial, o estatístico, o certinho… Só que alguns tem tido mais destaque que os outros.

É mais comum ver um biólogo hoje com um tablet do que com uma sandália de couro (para o bem ou para o mal).

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Até a próxima (com a terceira parte).

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