O grupo de mulheres


O s elevadores abriam suas portas e dezenas de pessoas saíam. O hall já estava quase atingindo sua capacidade máxima e as catracas já acumulavam inúmeras pessoas em fila, como uma estação de metrô em horário de pico.

Um grupo de mulheres conversava sobre assuntos diversos entre si. Procuravam esquecer por alguns minutos as preocupações e os problemas que terão que resolver após o almoço.

O calor persistente e uma nova linha de esmaltes eram os destaques. Uma das mulheres já possuía em suas unhas uma das cores recém-lançadas. As outras olhavam rapidamente e, de forma dissimulada, tentavam (sem sucesso) esconder a inveja.

Não eram amigas. Só se encontravam de segunda à sexta, das oito da manhã às seis da tarde. Algumas já até se encontraram num sábado, mas por acidente, em uma festa de uma amiga em comum. Portanto, continuavam sendo apenas colegas de trabalho.

Duas eram formadas em Recursos Humanos. Outra era formada em Direito, mas não seguiu carreira no ramo de sua formação. A restante ainda não era nem formada, estava cursando o último semestre de seu curso.

Pouco tinham em comum, além do interesse pela nova linha de esmaltes e por temperaturas mais baixas do que as registradas no momento.

Duas gostavam de música nacional e cinema, e uma preferia música internacional e viagens. A outra não gostava nem de música, nem de viajar ou assistir filmes — preferia estudar e dormir.

Mesmo assim, em quase todos os dias da semana, passavam uma hora de seu dia juntas, alternando suas atenções entre seus celulares e seus pratos de comida, e, de vez em quando, conversavam sobre qualquer coisa.