Afinal: quem vota no Oscar?

A grande festa da indústria cinematográfica.

Diferentemente do que alguns possam imaginar, os vencedores do Oscar não são escolhidos por um pequeno grupo de jurados. Longe disso!

Desde 1929, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (composta atualmente por mais de 7.000 membros) premia os melhores filmes do ano na cerimônia que conhecemos como The Academy Awards ou simplesmente The Oscars. Portanto, os vencedores da noite são escolhidos por todos os membros da Academia aptos a votar, o que hoje significa 6.261 votantes!

Esses membros da Academia são integrantes dos mais diversos setores da indústria cinematográfica, indo de atores, diretores e roteiristas até executivos, designers, músicos e publicitários.

Ao todo, os membros da Academia representam 17 diferentes ramos do Cinema.

Assim, quem vota nos vencedores não são os componentes de um “júri artístico” (como acontece, por exemplo, em alguns dos prêmios mais importantes dos festivais de Cannes e Sundance). Os jurados, na verdade, são os envolvidos em todas as etapas de concepção, produção e distribuição de filmes — ou como se costuma dizer: é “a grande festa da indústria cinematográfica”.

E isso, claro, afeta toda a lógica da votação.

Ser lembrado: imprescindível para garantir seu lugar ao sol no Oscar.

Com mais de 6.000 votantes, é preciso entender que a escolha dos vencedores do Oscar está mais próxima de uma eleição do que de qualquer outra coisa.

Inicialmente os indicados a cada prêmio (não necessariamente membros da Academia) são escolhidos pelos membros que façam parte daquela categoria. Por exemplo, os atores da Academia escolhem os indicados nas categorias de atuação, já os diretores indicam os concorrentes à Direção, os editores, à Edição — e assim por diante. Vale lembrar, entretanto, que há categorias com regras especiais para a indicação (como as de Filme Estrangeiro e Documentário) e que os indicados a Melhor Filme são escolhidos por todos os membros.

Depois de escolhidos os indicados, todos os membros aptos — sim, os mais de 6.000 — votam em todas as categorias independentemente do grupo de que façam parte (na verdade, “quase todas”, pois há algumas exceções). E assim são anunciados os vencedores.

Não é difícil imaginar que, com tanta gente votando, estúdios, produtores e artistas invistam, todos os anos, milhões de dólares em campanhas para que seus filmes sejam lembrados na hora da votação. Isso envolve grandes festas de divulgação, sessões VIPs para os membros, aparições em programas de TV (lembram quantas vezes a Anne Hathaway apareceu em talk shows antes da cerimônia de 2013?) e até contracampanhas (e que tal quando O Lobo de Wall Street foi acusado, em 2014, de fazer apologia às drogas?).

Apesar de a própria Academia organizar diversas sessões para os seus membros antes da votação e estabelecer regras rigorosas contra “votos de camaradagem”, os votantes, em regra, não são obrigados a assistir a todos os filmes (embora a grande maioria assista!).

Portanto, é possível, sim, dizer que a competição da Academia está longe de ser perfeita, não premiando, muitas vezes, o que realmente de melhor aconteceu no ano. O que não quer dizer, entretanto, que o Oscar não tenha seu lado bastante positivo.

Matthew McConaughey: do estereótipo à estatueta.

Se, por um lado, as campanhas milionárias de estúdios e produtores para que seus filmes garantam indicações e estatuetas deixam claro o quão distante está a competição de levar em consideração apenas o mérito das obras, por outro, reforçam o quão importante é o Oscar para os envolvidos na indústria cinematográfica.

Quais seriam as chances de filmes como Whiplash ou O Quarto de Jack — que é apenas uma entre as 307 obras de 2015 elegíveis para a categoria de Melhor Filme deste ano — resistirem algumas semanas nos cinemas sem os holofotes da premiação?

Nos primeiros dias após o anúncio dos indicados, a modesta bilheteria de O Quarto de Jack aumentou incríveis 733% em relação ao final de semana anterior.

Mais: como chamar a atenção de todos para as fantásticas reviravoltas nas carreiras de atores como Matthew McConaughey ou Michael Keaton (pelo segundo ano consecutivo, estrelando um fortíssimo candidato ao principal prêmio da noite)?

É verdade que Psicose não precisou de nenhuma estatueta, e Scorsese recebeu seu prêmio muito depois do prestígio internacional — mas ambos não são a regra. Fernanda Montenegro, até hoje, agradece à indicação.

Além do mais, mudanças têm ocorrido. No ano passado, os dois maiores vencedores da noite foram filmes independentes (Birdman e O Grande Hotel Budapeste). Um ano antes, O Lobo de Wall Street, Ela, Gravidade e 12 Anos de Escravidão figuraram, merecidamente, entre os melhores do ano para a Academia. E, em 2012, O Artista, filme que se imaginava pequenininho, acabou gigante depois da premiação.

Nem tudo no Oscar são rosas, mas a verdade é que há muitos pontos positivos na premiação. Especialmente, quando uma câmera na mão e uma ideia na cabeça não são suficientes para encher a barriga de todo bom realizador de Cinema.