Spotlight: Segredos Revelados

Jornalismo e Cinema com letras maiúsculas.
O roteiro de Josh Singer e Tom McCarthy é provavelmente o soco no estômago mais preciso do ano: um pouco mais forte (por exemplo, se recriasse as cenas dos abusos ou apostasse no sentimentalismo) e nocautearia o espectador; um pouco mais fraco (se suavizasse o conteúdo dos relatos ou perdesse mais tempo do que deveria com a vida pessoal dos personagens) e não o machucaria o suficiente. Afinal, ambos sabem que a denúncia é quem deve roubar-lhe o ar.
A direção do segundo também é inteligentíssima e, ao lado de uma ótima fotografia, cria planos carregados de simbolismos — sendo o meu favorito aquele em que um dos jornalistas conversa numa varanda pacata enquanto, ao fundo, cresce uma igreja imponente com o afastar da câmera.
Mas os donos mesmo de Spotlight são seu elenco e montagem. O primeiro é impecável em todas as suas participações, independentemente de sua relevância na trama (destaque para Mark Ruffalo — que atuação!). E a segunda é brilhante ao saltar das descobertas e correrias de um personagem às de outro da forma mais dinâmica e didática imaginável.
Belíssimo trabalho na vida real. Belíssimo trabalho nos cinemas.