Esse negócio assola a gente. As doenças são criadas cada dias mais na tentativa de nos transformar em um bando de zumbis viciados e doentes.

Me peguei atualizando o Facebook no celular enquanto ele tava aberto no notebook.

Me peguei pensando que a sistematização dessas luzes azuis do Whatsapp nada mais são do que uma doença anunciada. Cria mais uma ansiedade sem a qual antes tu vivia sem, e bem. Agora te deixa esperando por uma cor que não faria diferença na tua vida. Te fazem esperar e esperar.

Esperar pelo quê? Só deixam a gente com mais pressa. Deixam a gente sem conseguir olhar pro lado, só pra baixo, pra iluminação da papada. Eu antes reclamava, e reclama só porque não tinha um celular bom suficiente e que me deixasse viciada nesses algoritmos, logaritmos, malditos ritmos. Ritmos que quiseram me distanciar do balanço dos teus quadris, que me deixaram distante quando tu estavas aqui na minha frente e pronta pra mim.

Talvez eu não me perdoe por isso. Porque me permiti adoecer, e me entreguei à essa doença desvairada. Hoje quero sair das garras dela, porque ela não me deixa respirar.

Ela junto de tudo de ruim que querem me dizer que devo ser dona de tudo e devo dar conta do mundo. Eu quero respirar, sabe?

Eu nunca consegui respirar.

Eu nunca consegui respirar como uma pessoa saudável.

Minha mente nunca foi gentil comigo.

Desde que me entendo por gente tenho uma preocupação imensa de que tudo escureça, todos desapareçam e eu fique só no escuro. Que todo mundo morra. Desde pequena minha maior preocupação era com a morte, e de repente agora ela vive me aparecendo como uma das melhores saídas pra todas as criações malditas e repentinas da minha mente.

Vocês me dizem pra frear mas eu nasci com o pé no acelerador que inclusive agora tá travado. Minha mente acelera cada hora mais, cada dia mais, e não pára. É um imenso milagre começar e terminar algo.

Começar e terminar sem me machucar.

Eu só sei me machucar, e só sabendo me machucar, machuco os outros. Eu nunca fui um exemplo de saber me amar, nunca fui a baluarte do amor próprio. Não me tomem como ponto de referência. Até hoje na hora do almoço eu tinha certeza que meu Ser veio pra ser única e exclusivamente castigado. Esqueci da gentileza.

Da gentileza comigo mesma, e das coisas que posso aprender. Eu vou aprender. Ah eu vou.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.