Na beira do mundo

Eu justifico muitas coisas. Tudo o que eu faço precisa, ou deve, ser racionalizado por mim. Aí estão meus obstáculos para tantas coisas: muito pouco pode ser justificado. Por exemplo: eu não assisto às aulas de verdade se não identificar ao menos uma ligação entre elas e uma necessidade real, nem que essa seja passar no vestibular, como é agora; não me relaciono bem com as pessoas se não imagino algum rendimento útil daquela interação; não durmo direito quando não fiz nada do que acredito no dia em questão. Esse último problema tem reduzido, já que quase todos os dias passo bom tempo com Maria, e dela brotam mil razões.
Entendo isso como um problema sério. Acho que a razão contribui muito para me separar ainda mais do mundo e, sem esse contato, é muito mais complicado descobrir aspectos importantes meus. Tudo isso soa, para variar, muito racional, e sinto como se estivesse falando sobre outra pessoa; mas isso não parece inadequado, já que eu, durante a maior parte do tempo, me sinto outra pessoa. Reconhecer essa anomalia (como eu melhor descreveria) é o que me separa da completa impossibilidade de convivência social, porque se eu não o fizesse, aí sim, eu seria chata para caralho e nem meus pais me suportariam. Eu sei que posso ser muito desagradável. Escrever sobre isso agora, por exemplo, é o que me corrige.
Eu tinha muitas outras coisas para falar. Mas já é tarde, amanhã tenho aula, e já sei que acordar vai ser uma merda.
