quem for feliz levanta a mão

Ayla Cedraz
Aug 26, 2017 · 2 min read

Estive lendo um livro sobre felicidade. De cunho filosófico, o livro é separado em capítulos que analisam alguns aspectos desse sentimento tão abstrato e ao mesmo tempo tão debatido; discutia-se a sua natureza ao longo das eras, a sua possível incompatibilidade com a liberdade, a sua medida subordinada a níveis de comparação, entre outros pontos de abordagem. Então eu estive pensando sobre mim, inevitavelmente. E nas pessoas que me cercam. Vendo um pouco mais de perto a complexidade da felicidade fica fácil entender porquê é difícil perguntar se alguém é feliz e obter um “sim” firme e imediato como resposta. No mínimo a pessoa pensa um pouco; e, se pensa, já acho que a resposta não é firme, porque acho que alguns segundos não são suficientes para tomar essa decisão. Além disso, sempre acho que a pessoa, após dar a resposta, mentalmente se pergunta se é isso mesmo. Não sei. Talvez eu esteja sendo leviana, e devesse fazer uma pesquisa sobre isso. Perguntar para algumas pessoas se são felizes e, a partir da resposta, questionar sobre o que passou por suas mentes depois. Imagino-me entrando numa sala de aula e pedindo para que, quem for feliz, levante a mão. Visualizo alguns se entreolhando, e algumas mãos levantando devagar, meio confusas.

Eu mesmo não sei dizer. Mas eu entendo. Ninguém perde muito tempo pensando nesse assunto. A maioria das pessoas simplesmente vive momentos felizes e infelizes, sem se dar conta de que os vive. Há um trecho no livro, citação cuja fonte não me recordo, em que um homem olha a terra onde plantou e diz: “esse momento é perfeito”; e entardecia. Não me lembro de um dia ter tido tamanha lucidez. Começo a pensar que a tal pergunta sobre ser feliz seria melhor respondida se primeiro fosse estabelecida uma referência. Acho que não há mal dizer que a referência pode ser a vida de um vizinho, um amigo ou alguém da família. As pessoas já fazem isso de qualquer jeito. No entanto, acho que seria mais construtivo se a referência fosse a própria pessoa a quem se faz a pergunta. Assim: com relação a você há cinco anos, você hoje é feliz? Eu, por exemplo, digo sim com consideráveis recursos de argumentação. Talvez isso seja um conforto para alguém. Para mim ainda não é. Eu ainda espero fazer um longo caminho, a fim de olhar para trás e dar uma resposta firmemente real. Essas coisas levam mesmo tempo. Acho que, se eu tomar cuidado, haverá.

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Ayla Cedraz

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ainda um vulto do real.

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