Os escravos da escravidão

A liberdade só é plena quando não se perde nenhum direito

Uma promessa se cumpriu, e curiosamente foi a improvável. A Lei Áurea foi assinada. Romperam a corrente quando queriam seguir aprisionados. Curiosamente, não sabiam o que fazer com Essa Tal Liberdade.

Partiram em busca de refúgio, de algum lugar que recordasse de onde vieram. Conheceram outros feitores que impedidos de aprisiona-los, se usavam de seus serviços e os pagavam com uma migalha do que recebiam de seus primeiros senhores, mesmo que para aqueles fossem escravos.

Masoquistas. O sofrimento virou prazer para ambos. Formavam única vida. Colorida apenas com tons mais escuros, de preto ou cinza - não se sabe ao certo. Fato é que estavam ligados tal qual o sertanejo encravado no semiárido estio e mísero.

Subjetividades derrotadas como que pelo escrete alemão. Um Se Eu Fosse Você real, com um agravante: as trocas se misturaram, e separar cada dente da corrente era Missão Impossível.

Assim explica-se essa dependência da escravidão. Cada um deixou parte de si no cárcere, e ambos tentam recuperar o que é seu. Não querem ser escravos. Unicamente, pretendem ser livres por completo, pois a liberdade só é plena quando não se perde nenhum direito.

Livres plenamente, poderão seguir seus caminhos, e - dificilmente - não vão caminhar em bandos ou, ao menos, em dupla. Terão conquistado a liberdade juntos, mutuamente, e não haverá motivo para solidão.

Repetirão o clichê da felicidade eterna?