Cardinals x Patriots — Pós-jogo

Você joga em casa, acabou de contratar um dos melhores pass rusher da liga, seu safety multifuncional está 100%, o adversário está sem seu quarterback, o substituto será titular pela primeira vez, a linha ofensiva tem duas baixas importantes… Parece um cenário perfeito para uma vitória dominante.

E o otimismo fica ainda maior quando o TE Rob Gronkowski — melhor TE recebedor da Liga e melhor TE bloqueador da Liga (resumindo, um gamechanger — também é anunciado como desfalque. Todo esse otimismo foi ralo abaixo no primeiro drive dos Patriots no jogo.

Para uma leitura mais dinâmica separamos a nossa análise em 3 partes: ataque, defesa e special teams.

Ataque

O nosso ataque foi o que mais me assustou, foram erros e mais erros. Poucas variações de jogadas. Eram corridas, ou eram passes médios para longos, dando a entender que se não fosse uma jogada de pelo menos 10 jardas nem tentaríamos, além de chamadas estranhas em momentos não apropriados.

Larry Fitzgerald

O ídolo do time não apareceu muito no 1º tempo, mas em compensação no último quarto jogou demais. É incrível como Larry chama a responsabilidade nos momentos finais do jogo e mesmo com uma idade mais avançada continua jogando em alto nível. Fitz terminou o jogo com 8 recepções para 81 jardas e 2 TD’s, chegando assim ao touchdown de número 100 em sua carreira. Entre os recebedores Michael Floyd também mandou bem, Floyd mostrou que continua sendo o cara das big play’s. As jogadas que mais renderam nesse ponto foram do camisa 15, que acabou a partida com 3 recepções para 61 jardas.

David Johnson

Johnson foi o maior destaque da partida. Acabou o jogo com 132 jardas totais, sendo 89 de corrida e 43 de recepção, e 1 touchdown corrido. Com suas corridas e recepções, praticamente estava carregando o time nas costas na primeira metade do jogo, sendo o principal nome das campanhas dos primeiros 2 TDs. O que estranhou foi ver o corredor tendo poucas oportunidades, ele correu somente 16 vezes, se tivesse tido mais chances, passaria fácil das 100 jardas e desafogaria o time.

De uma maneira geral, o jogo corrido foi muito mal, principalmente nos 3 primeiros quartos. Chris Johnson por incrível que pareça, só correu UMA ÚNICA VEZ. Até agora não deu para entender porque Chris Johnson foi tão pouco usado, principalmente por precisarmos do jogo corrido, já que Palmer estava sendo engolido pela DL dos Patriots na primeira metade jogo.

Nossa OL estava muito mal no 1º tempo, mas na 2ª parte teve uma evolução muito boa, apesar da falta comprometedora no final e dos 3 Sacks sofridos por Palmer.

Defesa

Provavelmente foi a pior preparação pré-jogo da era BASK (Bruce Arians-Steve Keim, acostume-se com essa abreviação). Normalmente a defesa dos Cardinals entra meio molenga nos jogos, é normal esperar que o ataque mostre suas armas para que você possa entender a maneira da qual vai se defender. Boas defesas se adaptam aos jogos.

Não foi o caso ontem.

O que vimos no começo do jogo mostrou uma defesa perdida, que não sabia o que fazer em campo. Erros de posicionamento pré-snap e pós-snap, marcação frouxa nos recebedores, pass rushers facilmente superados pelos bloqueios, tackles perdidos por jogadores importantes, como Mathieu, enfim, um show de horrores.

Ao analisar a atuação da defesa na noite de ontem cada vez mais me convenço de uma tentativa de implantar uma nova filosofia. Ontem fomos muito menos agressivos do que costumávamos ser nos anos de Horton/Bowles e no começo da era Betcher.

Apenas para registro, utilizamos durante boa parte do jogo formação com 5 DBs ou 6 DBs. Para uma defesa que costumava ser muito agressiva no front seven é muito estranho se acostumar. É óbvio que eu não espero uma defesa 3–4 (ou 4–3) quando o adversário utilizou na maior parte do jogo formação com 3 WRs, mas esse tipo de compatibilidade à formação do adversário não fazia parte da filosofia de jogo do time.

Mas o front seven (incluindo aí o grupo de LBs — ILB e OLB) uma hora vai acertar. Tivemos uma demonstração neste jogo mesmo do que esse grupo pode ser capaz.A questão é saber dosar a agressividade do time.

Brandon Williams

A preocupação total a partir de agora deve ser quando ao CB oposto à Patrick Peterson. Infelizmente Brandon Williams não demonstra ter capacidade de poder ser titular tão cedo na NFL. Durante a pré-temporada, Williams sofreu para marcar WRs titulares, como Cabtree, Keenan Allen e Hopkins, mesmo assim Arians nomeia Williams titular. A responsabilidade é da comissão ténica.

Vamos observar qual será o comportamento da defesa nos próximos jogos. Próximo domingo já tem jogo complicado com matchup desfavorável em termos de jogo aéreo, enfrentaremos os Buccaneers em casa. Que a comissão técnica consiga colocar essa unidade nos trilhos.

Special Teams

Nosso special teams sempre foi ruim, mas não esperávamos que seria um fator tão decisivo para esse jogo. É difícil apontar nomes, a unidade foi mal como um todo, mas alguns se destacaram negativamente.

Drew Butler

Nosso punter foi mal demais, quase não tinha força para chutar. Seus chutes no jogo tiveram uma média de 32.4 jardas, enquanto o punter adversário teve uma média de 40.5 jardas. Butler já vem sendo problema desde aquele jogos dos Cardinals nos playoffs contra os Panthers, se continuar assim, na próxima temporada não jogará mais em Arizona.

Kameron Canaday

A função de long snapers nada mais é do que fazer um snap longo, como nome já diz, só isso. Nosso long snaper de longa data Mike Leach se aposentou e esse ano entrou Kameron Canaday. Em seu primeiro jogo profissional conseguiu a proeza de errar o long snap que custou a derrota do time.

O jogo estava 23 x 21 para os Patriots, faltavam cerca de 40 segundos para acabar o jogo, o field goal dava a vitória para os cardinals.

Kameron mandou um snap torto, o holder teve que ajeitar e aí o estrago já estava feito, Catanzaro mandou para fora.

No próximo jogo enfrentamos os Buccaneers em casa, no domingo ás 17:00. Esperamos que o time esteja bem diferente.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Arizona Cardinals Brasil’s story.