lágrimas de ano

Faz um ano.

Faz exatamente um ano.

Mar escorre no rosto,

Lembro o que aconteceu(?)

Lembro do susto, do coração apertado, ligação, dos repetidos “não”. Incontáveis nãos.

Lembro de tentar. E tentar de novo, e descobrir que é real, e tão real que me amarram as estranhas dos sentimentos todos, juntos, querendo transbordar, querendo passar ao mesmo tempo pela garganta. Pular, saltar, fugir, refletindo meu eu mais sincero…

Lembro de viagens, lembro de apoios, lembro de lugares diferentes, nebulosos.

Meu coração apertado levava socos. Levava tiros de palavras.

As pessoas falam muito.

Eu falei muito. Nós falamos muito, num passado, muito.

A dor cresceu, a ansiedade, as vontades de sacar um fim do bolso e fazê-lo acontecer. Precisava esperar, mas não podia. Não tinha estrutura. Não tive estrutura. Precisava esperar.

Não pude. Não consegui.

Sofri, ele sofreu,

ele sofreu.

Todos caímos, trememos.

Do fato, emfim. Fim.

Mais apertos, mais sentidos alterados.

Quase pêsames, mas sem tristeza ínfima.

O mestre, apontou, e sentenciou com os olhos-céu. Sentenciou com a boca-morte.

Me tocou de uma forma tão íntima, e com tanta raiva… e eu só queria sair.

Só quis sumir.

Me senti imunda.

O tempo passa,

As feridas ficaram, e rasgam. Volta e meia rasgam. Elas voltam, elas vão.

Nunca sumiram.

Um dia vão (enfim?)

O interior permite que eu hoje chore, que eu sinta.

O interior, ao mesmo tempo, quer força e luta e guerra.

Vou nessa,

E que meu Orixá justiceiro siga comigo.

A luta segue.

É um dia triste,

mas só um dia.

Permito-me isso. Concedo a mim esse direito.

No mais, à luta.

Guerreia.

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