#36 Queria ser grande, mas desisti — 12/05/2017

Na semana passada, Carmem Lúcia. Nesta, o mestre espiritual Sri Prem Baba.
Depois de quase um ano, encontrei com ele novamente numa palestra no trabalho. O cenário não era tão lindo e propício como a Chapada dos Veadeiros, mas as palavras dele me fizeram um bem igual.

A conversa tratou do propósito de cada um neste mundo, da construção de relacionamentos saudáveis e da urgente necessidade de perdoarmos e curarmos feridas antigas. E foi esse último assunto que me fez refletir mais.

E não porque eu tenha alguma conta aberta, uma mágoa por arrancar. O que eu senti, na verdade, foi um alívio de ter conseguido resolver pendências com uma pessoa que já não está mais aqui: meu pai.

Não faz muito tempo, escrevi sobre ele, sobre a saudade que eu sinto. Ele era extremamente carinhoso, mas tínhamos muitas lacunas na nossa relação. Não nos víamos sempre, as ligações eram esparsas e minha vida era um mistério para ele. Meu pai não sabia se eu estava doente, se ainda estava namorando, se tinha conquistado algo novo. Nossos encontros eram em almoços de família, shoppings ou cemitérios — sim, ele adorava visitar o túmulo dos meus avós.

A dinâmica da nossa relação me incomodou em vários momentos. Ele marcava de me pegar e atrasava horas sem nenhuma explicação. Diria que ia me ligar na semana seguinte e nada. Esquecia meu aniversário com uma frequência impressionante. Eu era adolescente e aquilo machucava bastante.

Mas antes dos meus dezoito anos, e sem saber muito bem como explicar, eu fiz as pazes com isso. Entendi que ele era assim, que me amava da maneira que podia e sabia. E ele me amava muito, tenho certeza. Ele só não era um pai convencional, não sabia ser assim. E tudo bem.

Ele morreu de repente, dormindo, dias antes de completar 46 anos. Chorei muito, custei a acreditar que aquilo era verdade. Mas era e eu precisava lidar com aquilo. E hoje vejo que o que mais me ajudou foi sentir que eu não tinha nenhum assunto mal resolvido com ele, que estávamos nos separando de bem um com outro, entendendo as limitações que tínhamos.

E essa paz é indescritível ❤

Para continuarmos discutindo o perdão, vale muito ler a newsletter da Nath. Na edição desta semana, ela fala sobre como a mágoa corrói e nos dá a falsa impressão de que temos algum poder sobre a pessoa enquanto não a perdoamos. É o rancor que tem poder sobre nós, uma força bem destrutiva, e nada além disso.

E pra aquecer os corações, um lindo texto de como o amor acontece para contrariar nossos planos

A importância de ser sincero com o que você quer de uma relação. Mesmo no Tinder, se você não pedir, não vai receber.

Sobre pertencer

Estamos em 2017 e o mercado de trabalho é mais solidário às mães, certo? Errado, muito errado. Nascer de chocadeira deve ser maravilhoso, não?

Bruce Lee e o “seja água”

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