Nesse mundo de flashes constantes e conexão emocional escassa, quem se sente a vontade para compartilhar as próprias vulnerabilidades?

As vezes me sinto uma farsa, espalhando tanta motivação e energia pelas redes sociais a fora, se tantas vezes meu dia amanhece nebuloso e o sorriso das fotos parece que não abre nem se aplicar botox..

O fracasso, a tristeza e tudo que não seja vitória reluzente parece que precisa ser abafado, minimizado, escondido, não honrado e nem compartilhado em profundidade com quem nos ama.

Toda vez que eu me incomodar com o choro de frustração ou tristeza do meu filho, toda vez que eu disser que está tudo bem enquanto está tudo péssimo, toda vez que eu não tiver paciência pra ouvir alguém que confia em mim, toda vez que eu esconder uma emoção pra não ser julgada fraca, todas estas vezes e em várias outras, vou estar somando pra uma cultura em que as pessoas não são de verdade. Onde a tristeza ao invés de me fazer pensar e crescer, vai sendo abafada e renegada como uma doença, ao invés de observada e aceita como parte da dualidade de qualquer criatura.

Encarar as suas sombras com amor e respeito, faz com que você possa tirar o poder que elas tem de de repente te dominar, eclodindo depois de muito serem negadas. Sem contar em quanto sofrimento e desajuste pode ser estimulado por estar sempre com uma poker face, uma cara de sucesso e indiferença diante de situações que mexem com você.

Ok.. ok.. Não estou fazendo discurso pró reclamações, lamentações e mimimi.. O que eu vejo a importância de pensar sobre é cada um encontrar sua forma de observar sua tristeza, sem esconder ou negar de si mesmo ou de quem importa na sua vida, para que em seguida, no tempo de cada um, essas emoções possam trazer a lição que precisa ser aprendida, ou simplesmente ir embora de você sem “encruar” ou te gerar um lixo emocional que vai ficar ali esperando a oportunidade pra estragar sua festa.

Inicio desta semana já puder viver na prática o que escrevo aqui. Uma amizade de confiança construida depois de muita vulnerabilidade trocada, foi o suporte pra um momento de muita sombra pra mim. Pude simplesmente ser quem sou, mostrar o meu medo e me senti muito amparada pela compreensão da minha imperfeição que veio do outro lado.

Soma-se ao alívio de não precisar sustentar um personagem 24h o fato de relacionamentos de verdade serem nutridos mais pela troca de vulnerabilidades, pela confiança e o cuidado alimentados com essa troca. Como amar um ser perfeito, que nunca erra ou precisa de ninguém..? A cumplicidade e o amparo são sentidos justo quando você percebe que pode contar com o outro, seja ele quem for, você vai se surpreender com a capacidade das pessoas de serem empáticas, carinhosas e sábias, na medida em que se livrar desta porcaria de fantasia de super herói.

Joga a toalha, brother!! mesmo que seja pra voltar à batalha depois de viver o alívio de ser de verdade quando for preciso.

Filme que facilita um monte a compreensão da importância de cada parte das nossas emoções: Divertidamente.

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Dica de leitura riquíssima: A arte da imperfeição. http://www.saraiva.com.br/a-arte-da-imperfeicao-abandone-a-pessoa-que-voce-acha-que-deve-ser-e-seja-voce-mesmo-4053783.html

Fez sentido pra você? Espalha!

Mais em: https://balancedandfunlife.wordpress.com/2016/07/28/o-poder-de-se-admitir-uma-tristeza/