Quarto caótico
São duas da tarde
Cigarro aceso
São duas da tarde
Janela aberta
São duas da tarde
Cama macia
São duas da tarde

O tempo se arrasta. 
O instante deixou de instantâneo.
O dia está mais longo agora que resolvi te deixar sair de mim; 
 — agora que resolvi te deixar partir;
 — agora que não vou intervir;
 — agora que não me deixarei sucumbir.

Parede branca 
São duas e três minutos
Mesa suja
São duas e três minutos
Copo cheio
São duas e três minutos
Garrafa vazia
São duas e três minutos

O tempo rasteja.
O instante deixou de instantâneo.
As horas passam vagarosas agora que decidi nas memórias te enterrar;
 — agora que não fico mais a lembrar;
 — agora que cansei de chorar;
 — agora que não não mais vou te guardar.

Quadro torto
São duas e cinco minutos
Cigarro apagado
São duas e cinco minutos
Copo vazio
São duas e cinco minutos
Cama quente
São duas e cinco minutos

O tempo se faz longo.
O instante deixou de instantâneo.
Os minutos passam demorados agora que abracei o desamor.
 — agora que quase não sinto dor.
 — agora que meu coração se conformou.
 — agora que passou.

Rádio ligado
São duas e sete minutos
Outro cigarro
São duas e sete minutos
Visão turva
São duas e sete minutos
Cama molhada
São duas e sete minutos

A quem estou querendo enganar?

Com o tempo vai passar.
Enquanto o tempo não passa,
Aqui estou;
Só estou.

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