Certeza?
Eu tenho muito medo. Da vida. Da morte (em especial sobre como ela será). E principalmente do que acontece entre esses dois marcos.
Sinto meu coração acelerar até mesmo ao digitar essas simples palavras; me sinto a mais patética das mulheres. Sinto vergonha de admitir isso em um meio onde a regra é “se não aguenta o tranco, retire-se”. Ao mesmo tempo me pergunto se eu teria percebido tudo isso se as condições não estivessem tão desfavoráveis. Chego até a concordar com a filosofia de vida dos “aguentadores de tranco”. Entretanto, preciso de ajuda. Não para me livrar das adversidades, mas sim pra aprender a lidar com elas. Não tenho mais 14 anos e a crença de que sou uma gênia incompreendida ou uma criança índigo. Na verdade minha mediocridade tá me incomodando bastante ultimamente.
Não sei se há caminhos realmente melhores que esse. Não sei a felicidade realmente está à espreita em algum outro lugar. Não sei se realmente devo começar a ter desejos românticos. Não sei o que realmente vale o meu tempo nesse mundo em que tudo pisca e vibra em busca de minha atenção. Não sei o que fazer com minha mente que pisca e vibra em busca de distrações.
Eu já tentei fugir (passei mais da metade de minha vida fazendo isso sem perceber). Eu já tentei ser perfeita (passei toda minha vida fazendo isso sem perceber). Buscas inúteis. Mas não direi que foi tempo perdido. Todos nós temos nossas cruzes. Eu levei tempo pra reconhecer as minhas. Relutei a todo custo a admitir que eu não aceitava a ideia de que sou uma pessoa como qualquer outra e que tenho dificuldades e limitações e medos e frustrações e que não há problema nisso, apenas mais lições a vivenciar.
O tempo inteiro usarão isso contra nós: nossas fraquezas; nossas particularidades, jamais exclusivas. Em especial os grandes, os incríveis, os invulneráveis vitoriosos das histórias que contam para si mesmos. Veja só, eu levo porradas e rasteiras o tempo inteiro e não fingirei que não aplico porradas e rasteiras aqui e ali também. O interessante é perceber como o passar dos anos e o cair gradual das idealizações nos leva a enxergar cada vez mais como precisamos uns dos outros. E não se engane: esse que hoje te soca a cara, pode ser o que irá te oferecer o gelo para aliviar a dor do chute que levará amanhã. Não há papéis marcados nesse palco. Não é difícil perceber isso, só precisamos parar de fugir da verdade só porque ela é desconfortável. Aprendo lições surreais com pessoas cuja conduta anteriormente julgaria inaceitável. Claro que ainda assim mantenho o discernimento quanto à quem é preferível não cultivar intimidade excessiva, mas isso não me impede de admirar à distância.
Às vezes queria uma máquina do tempo para tomar de volta minhas certezas que ficaram na década passada, mas pensando melhor, a única certeza que tenho está no futuro, e após sua chegada cessarão todas as dúvidas, assim como todas as oportunidades de aprendizado. Dúvida é sinônimo de vida.