como dizia Drummond

O que é mais belo que o toque? Entre dedos entrelaçados há tantos traços pontilhando momentos possíveis, histórias prováveis, ou não. A pele dá e recebe, forma um com o outro, permitindo ser assim enquanto assim puder ser. Na troca, o eterno paira no momento apelando para longa duração ou por certa cura pelas mãos; seus dedos, carinhosos e serenos, tímidos e trêmulos, carregados de sinceridade num justo movimento. Dessa experiência é possível escrever, criam-se marcas duradouras numa aurora de paz, no trançar dos dedos das mãos se forma um casal, antes mesmo que saibam o que esse movimento significa. Já no permanecer da união dessas mãos, constitui-se o caminhar, o prosseguir, aí se dá a construção do toque. Como dizia Drummond, “Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”