Outra carta
É, meu amor.. Lá vai uma outra carta a se perder nesse infinito digital, que jamais chegará perto dos seus olhos. E pra falar a verdade, é assim mesmo que desejo. Escrevo pra desabafar, pra vê se o sentimento transforma em palavra e some de mim. E me deixa.
Hoje eu não quero me declarar, eu não quero dizer o que eu sinto, porque você já está careca de saber. Quero falar sobre egos, vida e destino.
Até ontem ainda existia dentro de mim uma esperança, uma centelha de: “vai dar certo, vocês vão ficar juntos”, mas você sabe que existe um universo paralelo com muito mais poder do que qualquer coisa nesse mundo. E eles me disseram em sonho: voa Bárbara.
Pois então, meu amor, tô vestindo aquelas minhas velhas asas que ficaram guardadas com todo o enxoval do nosso casamento no meu armário branco. Elas estão um pouco murchas, mas ainda acredito que possam me fazer alcançar destinos jamais imaginados.
Tô indo nua, só com as asas nas costas, sabe por que? Tô retirando todo aquele abraço que você me deu mês passado, depois de quase 2 anos sem nem imaginar se você estaria vivo ou vivo. Tô limpando minha mente também, jogando fora de verdade, todos aqueles “eu te amo” que você me disse e depois voltou pra sua realidade.
Sabe meu amor, eu sempre estive pronta né?! É como se eu estivesse numa estação de trem, esperando você descer de qualquer um. E você sempre acena e diz: me espera, eu te amo.
Mas eu cansei.
Cansei quando ouvi de você dizer que o que sentia por mim era EGO, que de alguma forma eu te fazia mal, que eu despertava dentro de você o pior de você. Mas ego, meu amor, é quando você desconstrói sonhos e aceita os de outra pessoa. Sabe porque? Você não quer correr o risco de me ver partindo de novo.
Não adiantou. Eu estou indo embora. Pego o trem das 18 horas. E se caso você mudar de ideia, não me procure. Definitivamente eu não acredito em nós dois mais. E isso basta. Esse é o bilhete pra minha partida.
A.Deus.