O Poder do Valor

Na reflexão sobre ansiedade descobri que é ilusão querer encontrar receitas mágicas e superficiais para conviver com essa realidade que nos acomete enquanto seres humanos conflituosos. O assunto é sério, profundo e desafiador.

Quando falamos em desenvolver identidade e consciência para minimizar os efeitos da nossa ansiedade, muitas pessoas vão confundir isso com nos tornamos mais orgulhosos, vaidosos, individualistas, etc.

Muitas vezes a autovalorização é confundida com autopromoção, e muitos se auto promovem por meio do desprezo a si mesmo diante das dificuldades da vida. Esses tipos escondem uma imensa insegurança, um orgulho que é um disfarce da nossa amiga ansiedade. Quem está sempre reclamando se achando o pior dos piores, se autoflagelando na verdade não quer encarar sua realidade de frente, tem baixa consciência sobre si.

Precisamos assumir nossos pontos fracos, fracassos e perdas de uma maneira madura e honesta em uma confrontação franca com a realidade, isso é um sinal de generosidade, sabedoria e humildade. Ficar se auto desvalorizando demostra apenas uma pseudo humildade e disfarça uma imensa arrogância. Se não conseguirmos atingir uma meta, ou ter aquele relacionamento bacana, uma vida que nos agrade, não adianta arrumarmos justificativas do tipo “deus me castigou”, “sou a pior pessoa do mundo e portanto isso ou aquilo”…ou “fulano de tal é isso e aquilo”. Quem despreza a si mesmo tem mais chances de desprezar as outras pessoas também, é a cultura do ódio. Esse tipo está acomodado na sua total zona de conforto.

Spinoza já dizia: “Quem se despreza está muito próximo do orgulho”

Se autovalorizar precisa estar na frente de se autocondenar, isso claro se você quer buscar ter qualidade em sua vida. Autovalorização significa buscar o seu sentindo, o seu valor. Não pense que é tarefa fácil. Os últimos séculos foram de extrema importância para o progresso científico, mas nos deixou mais parecidos com máquinas, perdemos nosso senso de valor de uma maneira muito intensa, desaprendemos a sentir o que é bom para nós e o que nos incomoda. Líderes megalomaníacos despontaram para sermos partes de seu rebanho, isso funcionou tanto para nazismo e a para as ditaduras fascistas tanto quanto para o comunismo e o atual imperialismo do consumo.

Quando o homem se torna máquina ele se desconecta, perde a consciência do seu corpo, da sua mente, dos seus sentimentos e da natureza. Um bom exemplo dessa perda de consciência é a corporal, acreditamos que a doença é causa dos nossos males e terceirizamos a cura para os médicos e para a ciência, enquanto na verdade a doença é a consequência do nosso estilo de vida e deveria ser tratada de uma maneira mais ativa por nós enquanto donos de nossos corpos. Colocamos-nos nas mãos de terceiros, como se a responsabilidade sobre nossos problemas não fosse nossa, o nome disso é racionalização da passividade. Devemos sim acessar os progressos da medicina para nos ajudar, mas o processo de cura vai além e prevenção não faz mal a ninguém.

Nossos prazeres gastronômicos e sexuais também refletem essa realidade, funcionam em muitos casos como válvula de escape para sentirmos um prazer totalmente desconectado com o que de fato poderia nos fazer bem. Como se fossemos capazes de separar nosso corpo, nossa mente e nosso coração sem que isso tivesse consequências drásticas para nosso bem estar.

É preciso acreditar na capacidade de ser autêntico e coerente, saber o que quer, ouvir sentimentos, razão, corpo e também a natureza. Pensou que era fácil?

Como hoje é sexta gosto de deixar uma musiquinha. Vou de U2 — Stuck in a Moment uma versão com Mick Jagger, escolhi essa versão pois acho o Mick um cara autêntico ele performa de uma maneira única, até mesmo quando erra na letra sua presença é esfuziante.

Stuck in a Moment conversa com uma pessoa ansiosa, confusa, que perdeu sua identidade ….tudo que nós não queremos mais voltar a ser.

https://www.youtube.com/watch?v=GNTgxGeg5L4