Abria a porta do hospício?

O que você faria se só te restasse esse dia?

O enredo da Mocidade desses tempos foi sobre uma famosa música do Paulinho Moska que pergunta o que a gente faria se soubesse que o mundo iria acabar amanhã.

“Corria prum shopping center
Ou para uma academia?
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia?”

Esse refrão sempre foi inquietante pra mim: “o que você faria se só te restasse esse dia”, afinal? Eu não correria pelada na chuva e nem abriria a porta do hospício, não é esse o (meu) ponto.

A inquietude vem do fato que a gente vive a vida se equilibrando entre as responsabilidades e os momentos de lazer e de prazer sem saber qual é o nosso prazo de validade, que pode ser daqui 50 anos, ou 5, ou 5 horas, ou 5 minutos. A gente não sabe (que bom!) a data do fim do mundo.

Inquietante, por isso, é abraçar um planejamento a longo prazo, do tipo economizar dinheiro pro futuro (que futuro?) ou gastar como se não houvesse amanhã (e se houver?).

Inquietante é estudar durante dois, três, sete ou mais anos da vida, abdicando de quase todo o resto em prol de um trabalho estável que permita que a gente leve uma vida com conforto até a velhice (que velhice?) ou se arriscar por caminhos alternativos e por isso menos seguros (e depois?).
Inquietante é usar as economias suadas pra fazer a viagem dos sonhos ao invés de comprar um apartamento ou trocar de carro. Mas mais inquietante talvez seja comprar o apartamento e trocar de carro e não fazer a viagem dos sonhos. Será?

Inquietante não é só o enredo que a Mocidade escolheu, ou a música do Moska. Inquietante é a vida.

“Me diz, o que você faria?”

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