Convivendo com o fato de que somos parte do mundo e vice-versa

Troche

Nós, seres humanos de forma geral, temos a falsa impressão ou o falacioso desejo de que o mundo gira em torno do nosso próprio umbigo. Nos preocupamos intensa e diuturnamente com a nossa própria felicidade. Nos preocupamos tão somente com o bem estar de nossos familiares e de nossos amigos. Se nós mesmos e esse grupo restrito de pessoas estivermos bem, então o mundo estará bem. Nosso mundo estará bem.

Não é uma visão de todo equivocada, uma vez que somos de fato o centro do nosso pequeno universo individual e que reside dentro de nós a chave de todas as nossas inquietações e questões. Conhecendo bem a nós mesmos, não fazendo nenhum mal terrível a ninguém e dando conta de manter uma relação saudável e harmoniosa com nossa família, amigos e colegas de trabalho já é um grande serviço que fazemos para o nosso próprio processo evolutivo. E estaremos sim, desta forma, igualmente contribuindo com o mundo.

Acontece que o mundo é muito maior que a nossa mesa de almoço de domingo, e tem muito mais gente morando dentro dele do que as pessoas que a gente conhece e ama. Ou, em outras palavras, vivemos em sociedade. Somos indivíduos inseridos em uma família que está inserida em um bairro que está inserido em uma cidade que, por sua vez, está inserida em um estado que faz parte de um país que integra um continente todo dentro de um planeta que faz parte do mundo. Tem muito mais gente aí fora, portanto.

O mais incrível disso tudo é que, de alguma forma, estamos todos interligados. Viemos todos da mesma poeira cósmica do Big Bang, do mesmo rascunho de Deus ou seja lá qual for sua crença a este respeito. Fato é que viemos ‘do mesmo lugar’ e ‘ao mesmo lugar’ vamos voltar, cada um ao seu tempo.

Dito isso, expandido o alcance da mente, parece fundamental que as pessoas que integram esse mundo, no micro e no macro, olhem para cima também, olhem para fora e para os lados, além de olhar unicamente para si, e se posicionem minimamente dentro deste local coletivo no qual vivem. Onde todos nós vivemos.

Isso não significa que cada decisão tomada no planeta precise ser objeto de análise de cada um dos seres humanos que o habitam. Mas as decisões SUBSTANCIAIS merecem posicionamento, merecem que a gente se dedique a pensar sobre, a falar sobre, tendo em vista que vivemos no coletivo e, portanto, as deliberações tomadas em nome desse coletivo de pessoas inevitavelmente afetam a todos os seus integrantes de alguma forma. Incluindo nós, nossas famílias e amigos. Precisamos estar atentos.

Assumindo então o fato de que cada um de nós é parte de um todo indissociável, mesmo que não sejamos diretamente afetados pelas decisões coletivas, seremos sim tocados de inúmeras outras formas, ainda que seja pela energia envolvida nos processos aos quais estamos alheios.

Desta forma, conciliar a vida pessoal com a vida coletiva é algo necessário, uma vez que ambas são indissociáveis. Por certo devemos ter cuidado na forma como escolhemos fazer isso, em especial para não acabarmos misturando a nossa energia e a nossa boa vontade com sentimentos densos como a raiva, o ódio e a intolerância, que além de não ajudarem ninguém, acabam atrapalhando a nós mesmos.

Mas não podemos fazer de conta que vivemos em uma bolha cor-de-rosa, num mundo só nosso, protegido e isolado. Porque enquanto desenhamos nossa redoma imaginária estamos sendo coletivamente afetados pelas decisões que outras pessoas estão tomando por nós na nossa ausência, e que de forma inevitável vão chegar a nós e aos nossos.

Como partes integrantes deste enorme e complexo cenário, é preciso encontrar um equilíbrio pessoal e, a partir dele, ocupar o nosso pequeno — mas essencial — papel no mundo.

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