todas as outras

Fiz figuração em uma série de episódios esquisitos nesse final de ano velho e começo de ano novo, nenhum me envolvendo diretamente e todos eles com a temática “querendo mudar o outro”. E a conclusão que extraí dessas novelas reais é que nenhuma missão que a gente possa se envolver na vida é tão fracassada quanto a de tentar modificar alguém. Já escrevi isso alguma vez, mas não custa lembrar (pra mim mesma) que ninguém muda ninguém. A gente bem mal e porcamente consegue melhorar a gente mesmo com muito foco, força e fé. Mudar é suado e exige dedicação exclusiva, persistência e força de vontade no modo turbo. E se com tudo isso ainda é fácil recair nos velhos hábitos e padrões, imagina sendo uma coisa que não vem de dentro, tipo uma mudança requisitada por terceiros. Inviável. Ainda que a causa seja nobre e o que motive o desejo de que o outro mude e se torne uma pessoa diferente seja o amor, no formato que for, ela ainda assim é uma causa perdida. Acho que o exercício que cabe a cada um é outro. É o da aceitação. O de aprender a tolerar os defeitos dos outros. Difícil do mesmo jeito, suado do mesmo jeito, mas não impossível. E se não der, se realmente não der pra entender, pra aceitar, então não deu, pega umas “férias”, segue o rumo, fica uns dias surdo, outros dias mudo, toma uma cerveja e abstrai. Sai da zona de choque. É preciso aceitar que muitas coisas tão completamente fora do nosso alcance, nos ocupemos de todas as outras.

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