Troche e seus “desenhos invisíveis”

Num contexto de mundo onde todo mundo tem muita voz, o silêncio e o simples acabam ficando um tanto renegados, à margem. Estamos acostumados com textão, canais do Youtube, informação, informação, informação, barulho. Todos temos muito a dizer sobre tudo e inúmeros meios de fazer isso acontecer.

Comove, por isso mesmo, quem trabalha em silêncio.

O ilustrador uruguaio Gervasio Troche chegou a mim de mansinho, assim como é o seu trabalho. Suave, sem ser anunciado, sem apresentação, conheci seu traço, quase singelo de tão simples, e grandioso como o universo.

Publicado no Brasil pela Editora Lote 42 (que inclusive publica materiais incríveis, recomendo dar uma googlada), Troche é viciante.

Mudo e em preto e branco, se contrapõe a todo barulho e cores das cidades modernas, que inclusive são trabalhadas por seu traço delicado, com a leveza de quem enxerga muito além do que se vê.

Troche vê nas entrelinhas, capta a suavidade e a subjetividade da vida, do concreto, da natureza, do ser humano e — o meu preferido: do universo.

O céu, as estrelas, os planetas e a noite ocupam espaço expandido do trabalho desse artista grande.

Troche é um descanso para os nossos olhos cansados de agito e para os nossos ouvidos cansados de barulho. Mas, acima de tudo, um refúgio à nossa alma, tão necessitada de paz.

Seus desenhos são invisíveis somente àqueles que não enxergam com o coração.

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