REVIEW: Halo 3 (2007)

Finish the fight. Essa era a promessa da Bungie para a conclusão da trilogia que se iniciou em Combat Evolved. Assim, após o gancho de Halo 2, Halo 3 vinha em sua época com várias questões de simples e puro HYPE pra lidar no momento de seu lançamento. Já não basta toda a expectativa lançada em cima do jogo do meio da trilogia, o terceiro capítulo da saga de Master Chief tinha que lidar com toda a pressão de entregar os sonhos molhados dos fãs da saga, encerrar o arco iniciado seis anos antes e ainda ser um dos pilares do recém lançado Xbox 360. E eles conseguiram.
O jogo começa com Master Chief chegando à Terra logo após todos os eventos do game anterior. Nosso herói tenta agora impedir o Prophet Of Truth de ativar os Halos e completar sua “Grande Jornada”. A trama ainda se desenrola e cria outros focos, mas chegaremos a eles em breve.
Antes disso, é bom destacar o monólogo de Cortana, dizendo que de todos os Spartans, ela poderia escolher quem ela achasse melhor e acabou com o nosso herói. Ela tinha sido deixada pra trás como plano de contingência em High Charity, a cidade/nave dos Covenant, junto de Gravemind e sua ausência é notada, mesmo aparecendo em flashes pedindo ajuda à Chief.
O jogo já começou com uma surpresa: Esse é o primeiro jogo da saga dublado em portugês. E cara, eu gosto de jogos dublados, é mais fácil pra mim não ter que dividir a atenção entre controlar o que está acontecendo e não ter que ler uma legenda — abraços para Mirror’s Edge — além de não ter aquela sensação estranha de um ator de verdade sendo dublado como acontece no cinema. Mas fica complicado defender a dublagem quando vemos Master Chief chamando o Halo de RALO. Além de pessoalmente não gostar da escolha da voz dele, da Cortana e sentir falta dos dubladores originais do Sargento Johnson e do Árbitro. No entanto, joguei assim até o final e fui me acostumando rápido, já que a dublagem dos outros soldados ficou até engraçada, com frases como “você quer um abacaxi?” quando alguém joga uma granada.

Agora, sobre a trama em si, eu tenho pontos que eu simplesmente AMEI e pontos que me incomodaram.
O que eu mais senti falta foi o ponto de vista dos Covenant sobre tudo isso. Agora com o Árbitro do nosso lado, não podemos mais ver mais sobre o lado vilanesco da história, enfraquecendo assim tanto o Prophet Of Truth quanto o próprio Árbitro, não sendo mais jogável e resumido a um mero sidekick de Chief. Ele até tem seus momentos, como matando o próprio Truth e é um ótimo aliado na hora das batalhas, além de poder lutar ao lado de Elites ser algo bem legal, mas eu senti falta do personagem nessa trama. Ainda assim, ver seu arco se encerrando foi algo bem digno e recompensador.
Já Master Chief segue com um desenvolvimento sutil até demais. Seu reencontro com Cortana é emocionante, com direito a referência à Combat Evolved. Mesmo asism, para o protagonista da saga, com três jogos podemos dizer basicamente que Chief é um capacete que atira, como eu vi alguém no Twitter dizer algum dia. Se pegarmos do primeiro jogo até agora, a única coisa que mudou nele foi sua relação com a própria Cortana além de poder confiar no Árbitro. Mas tudo isso é feito com poucos diálogos, já que ele não é um cara de muitas palavras.

Mas o que essa história tem de épica é uma brincadeira. Sério, são naves gigantes, multidões de Flood, a ampliação do combate contra os Scarabs que são basicamente robôs-aranha gigantescos controlado pelos Covenants, até as fases com o Warthog finalmente são divertidas. E até mesmo momentos como mais uma traição de 343 Guilty Spark que até então estava do nosso lado e LUTAR DO LADO DO FLOOD mesmo que seja por um breve momento, entrar em High Charity já tomada pelo mesmo.
Podemos dizer que a trama se divide em três atos: no primeiro é uma corrida contra Truth para impedir que ele ative os anéis. No segundo, temos que salvar a Cortana e no terceiro basicamente explodir a Arca e evitar que o Flood continue se espalhando e que ninguém mais consiga ativar. Aliás, diferentemente do primeiro jogo, temos finalmente uma missão de fuga com o Warthog que funciona. Ok que pra isso precisou de seis anos e um Xbox novo, mas cara, como foi divertido fugir daquele lugar.

Dentre as novidades, agora temos mais tipos de granadas, podemos controlar mais veículos, temos power-ups que concedem invisibilidade, invencibilidade, etc., os Brutes GRAÇAS A DEUS não são mais uma esponja de tiros — compensando com um miniboss extremamente resistente e que pode te matar com um único golpe de sua marreta, o que até acho justo já que são poucos — , os Flood tem mais variações e assim como os Drones — uma raça Covenant apresentada em Halo 2 que é basicamente uma barata que atira — atacam em números maiores, alem do jogo poder explorar bem o suficiente o poder do Xbox 360. Ok, hoje está meio datado, principalmente as cutscenes, ainda mais comparando com um excelente remake, mas dá pra superar tranquilamente.
O final do jogo marca o final de uma trilogia de altíssimo nível da Bungie. O Árbitro e os Elites aparentemente fizeram as pazes com os humanos mesmo com todo o passado envolvendo as raças. Infelizmente morreram Miranda Keyes e o Sargento Johnson — esse eu sinto que falei muito pouco nas reviews, o que é uma pena porque é um dos meus personagens favoritos da saga. E Chief é dado como morto, mesmo estando perdido em algum lugar do espaço com Cortana e o que sobrou da Forward Unto Dawn, uma nave da USNC, enquanto dorme, exatamente como estava no começo do primeiro jogo.
A Bungie ainda desenvolveu outros dois spinoffs em Halo 3: ODST e se despediu da franquia com o aclamado Halo Reach. Hoje eles são os responsáveis por Destiny, uma das maiores franquias dos joguinhos e não atuam mais sob a tutela da Microsoft, o que significa que seus jogos agora saem para outras plataformas. O próximo jogo, Halo 4 é o primeiro da 343 industries, a atual responsável pela franquia. Muitos dizem que os dias de glória de Halo se foram junto da Bungie, já que os próximos capítulos da saga foram os mais polarizantes dentre os fãs, mas os encararei com otimismo.

Mesmo não aproveitando alguns dos fatores que fizeram Halo 2 tão incrível como a falta do Árbitro, e de mais profundidade da visão dos Covenant durante a campanha, Halo 3 termina a batalha e entrega a mais épica de suas histórias. Tudo é gigante, dá vontade de ser explorado e encerra com chave de ouro uma trilogia incrível enquanto dá um gancho interessantíssimo para a sua continuação. Sua jogabilidade continua divertida e as mudanças e transição para uma nova geração de consoles foram muito bem vindas e ajudaram a tornar esse o melhor capítulo da franquia até então.
9/10
PS: Gente o review de Hellblade ainda vai sair, eu só me empologuei demais com Halo 3 e o quão épico ele é, mas já estou acabando hahahah.
