de quando c’êsqueceu um anel aqui

(anos 90, xadrez)

foto por bagadefente :: NADA

às vezes a vida parece mesmo uma sinfonia agridoce, né?

uso na mão direta aquele anel que você deixou na janela do banheiro. não sei se você faz isso de propósito, visto que você não parecer ser avoada, mas sempre fica alguma coisinha sua pra trás: uma peça de roupa, um acessório, um cheiro no travesseiro, o gosto da tua boca, uma porção grande de saudade. eu gosto disso, a ponto de ficar preocupado pensando no dia que não ficar qualquer vestígio teu aqui. físico, pois sensorial-afetivo já era — it’s too late, baby. enquanto escrevo, olho para o anel no meu anular & meu sangue pirata flui feliz. me sinto um corsário seguindo um mapa, procurando o caminho do teu coração, tesouro.

deixa de medo, me deixe apertar, arrancar tua dor com meu dedos enquanto aquela canção lentamente nos mata (de dúvidas, desejos).

seminu, teu corpo quente dormindo ao lado do meu. sensação, sonho. por entre confissões silenciosas na penumbra, afofamos futuros afagos, preâmbulos felinos — quando estou preto & branco, é você quem tira minhas pulgas.

se a coragem é um cão covarde, o tesão é um gato castrado.
às vezes quero expressar meu ponto de vista, mas ele não é sensato.
não é sensato.

as madrugadas & nossos papos. todos os cinco horizontes girando ao redor das nossas almas. aquela fogueira numa terça-feira, birkin & gainsbourg, bonnie & clyde, noites selvagens, noites amenas — o amor físico não é tudo, eu vou & venho entre teus rins.

imagino você aqui, vivendo comigo, conosco. sim, assusta: à mim também, mas sendo a saudade um poema que se come frio, eu estou de dieta. quero te beijar sob a via láctea, júpiter beijando vênus no céu.

como primeiro mamífero à vestir calças & fazer planos, visto a minha preferida, comprada oito anos atrás por dez reais no brechó da cris na rua augusta. calço minha botina favorita, rasgada, com a sola furada, & caminho pela madrugada gelada pra t’encontrar rumo ao futuro em meio à poeira da manhã. levo a tiracolo um bichano obeso & fofo, só pra te fazer sorrir.

um dia na semana apenas, além de ser pouco, me soa meio burocrático.
que bizarro: eu me entorpeço & penso em você. será isso aquela pseudoutopia, a pior coisa que Platão inventou?

o lençol do meu colchão tá rasgado, a verdade é que posso não te levar para Dubai, nem ter diamantes nos meus bolsos, mas quero comprar foguetes pra você. cê sabe, a casa é pequena, mas aconchegante. tua presença será a primavera. sem hippice, estaremos pertos dos duendes. é como caminhar sobre vidro, estou ficando com fome.

“quero conversar com você”, diz você, justo num domingo à noite, esta frase perigosa. naquele turbilhão de possibilidades, certeza alguma: leveza,beleza pura. juntos somos fortes, não há nada pra temer — essa é a impressão qu’eu tive.

quando me dei conta eu estava ouvindo uma playlist com hits dos anos 90 no Spotify.

talvez seja a camisa xadrez, o all star branco um número maior que você usava naquela manhã quando saiu de casa. nos anos 90, você ainda não tinha autonomia para escolher suas roupas, mas esse look grunge lhe cai bem — ainda mais nessa fase estranha que você se encontra, transitando entre sociopatas milionários & poetas falidos, (ainda) vestindo aquela sua velha roupa colorida.

não acredite no medo, não seja uma garota estúpida.


~Desafio~

no texto acima, utilizo diversos trechos de músicas, em sua maioria, mas não só, hits dos anos 90. algumas são explícitas —seus títulos estão incrustados no texto. outras não, são traduções ou paráfrases de canções que me vieram à memória ou aos ouvidos enquanto escrevia.

pra deixar a coisa mais interativa, lanço aqui um desafio: as três primeiras pessoas que comentarem citando as referências musicais presentes no texto, por número de acertos & ordem de resposta , serão premiadas. cada uma irá receber, via correios, inteiramente de grátis & no conforto do seu lar, três publicações minhas: The Bugger in Me, Bíblia Decente e Ressaco.

valendo até à meia-noite de sexta pra sábado, dia 2 pro dia 3.
sábado ou domingo eu divulgo o resultado.

buena suerte!

UPDATE:
a maioria das respostas ao desafio vieram via inbox ou na postagem do link pra esse texto no facebook. como foi a primeira vez que propus algo do gênero, tá valendo.

as três vencedoras foram Bianca Camargo, Fernanda Pereira e Camila Fernandes. entrarei em contato para combinarmos o envio/retirada dos livros. parabéns!

e abaixo, a playlist com as canções citadas no texto. ;)

Yoñlu não está disponível no Spotify, mas vale procurar no Youtube!

& se você gostou deste texto, ajude ele a se espalhar para que mais pessoas possam acessá-lo. Interaja: comente, recomende & compartilhe!


o coraçãozinho é bem bacana, mas todos ícones servem para interagir com o texto & seu autor =)

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