Acho que todos nós temos um pouco de Alice

Mundos me encantam. E apesar de aparecem no plural, o encanto está na singularidade de cada um. Acho que por isso me encontro um pouquinho em cada um deles.

Em um dia qualquer me vi num mundo bem diferente, porém muito familiar, simultaneamente. Esbarrei com alguém sem forma, mas de alma conhecida. O cenário foi ficando mais nítido e a alma foi apresentada em corpo.

Nos alojávamos num espaço sustentado por braços e aquecido pelo ritmo sincronizado de dois órgãos responsáveis por manter a ordem em casa. E a única ordem era deixar que eles agissem. O toldo era formado por duas mentes, que através de dois pares de olhos fixos uns nos outros e com a ajuda dos lábios de ambos encostados, dava segurança para o resto do ambiente. Por meses o cenário foi assim sustentado e o mundo foi ganhando mais detalhes, mais gostos e mais concretude. Foram aventuras banhadas a sorrisos fáceis e descobertas que mapearam cada cantinho daquele nosso mundo.

Contudo, em um momento qualquer, não se sabe quando exatamente, os olhos se desviaram, deixando a mente mais afastada dalí. Os braços se afrouxaram e os dois órgãos chefes entraram em diferentes ritmos, prejudicando o aquecimento da casa e balançando cada espaço.

Apesar de querer acolher mais esse mundo, as frequências instáveis estavam desvencilhando tudo o que fora construído. Os buraquinhos que estavam sendo criados para expandir um pouco o ambiente e acolher as novas aventuras, foram desfeitos e preenchidos por argamassa.

E tudo foi voltando a ser vulto,

a ser ideia,

a ser alma. Mas dessa vez, só a minha.

E me vi nesse mundo aqui.

No meu mundo.

Like what you read? Give Bárbara Ramos a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.