Wilson Melo
Aug 9, 2017 · 2 min read

Oi, Thais

Geralmente concordo bastante com o seu ponto de vista nos seus textos sobre indústria, mercado e desenvolvimento de gueimes de um modo geral e panz. Mas esse em particular veio quadrado; de certo modo está bem fundamentado mas difícil de digerir. Muito talvez porque tenha espancado minha área de formação hahah, vou deixar algumas considerações que talvez nem faça tanto sentido assim:

Eu entendo o fastforward na cronologia e os meandros que o texto poderia tomar caso entrasse numa explicação mais arrojada dos movimentos artísticos até o modernismo e os que se sucedem. Acho que a estranheza aqui se deu pelo skip entre os movimentos neoclássicos da época (representado aqui pelo academicismo que bem citou) e o movimento modernista sem explicar o que tava acontecendo ao redor, eventos como as ondas da revolução industrial e as mudanças nos métodos de produção como um todo lá nas europas. A arte como qualquer outro artifício representativo bebe e reflete os acontecimentos da época em que está inserida. Ou tenta reviver épocas passadas..

Entendo também o tom de desabafo do papo, esse lande de rotular é realmente muito chato em qualquer área ou situação. Mas mais uma vez fiquei esperando ler sobre a influência das vanguardas e as quebras de paradigmas, ou do avanço tecnológico ou da arte como elemento catalisador de mudança do meio (Art nouveau e déco, por exemplo) etc.

Como falei ali, a arte sem contexto ainda consegue ser arte mas é rasa e, com o perdão do pleonasmo, causa uma estranheza estranha; hoje possuímos meios de produção e uma tecnologia disruptiva que viabilizam, por exemplo, a criação de instalações dinâmicas e sensoriais que possuem um viés muito próximo dos jogos como conhecemos atualmente. E jogos que se distanciam muito das outras mídias e formas de expressão. E jogos que se aproximam das outras mídias etc. Só estou pontuando, entendo que a discussão não é essa. (:

Concordo grandão que a criatividade merece e deve ser livre. A arte, foda-se. E mais aquilo tudo de queimar Roma.. Mas é preciso entender como chegamos até aqui de uma forma mais clara. Acho que no momento e contexto que estamos inseridos ela (a arte) é relevante como caminho criativo e não como definição ou produto propriamente dito.

Os jogos (novamente) como conhecemos hoje em dia, são artefatos de uma nova cultura que ainda está em desenvolvimento, e, ao meu ver, é tudo muito imaturo. Mesmo que já movimente uma grande industria e seja uma área cada vez mais emergente, é natural que esse tipo de discussão venha a tona de tempos em tempos, pois ainda estamos embedados no nicho do entretenimento. Vejo que ainda precisamos de conceitos sim, para que depois possamos destroçá-los com novas ideologias e novos modelos.

Talvez minha critica fique mais porque o texto ficou com um tom bem mais <big_aspas>hater</big_aspas> que informativo. Mas ainda assim gerou um bom debate.

    Wilson Melo

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