(AS)SIMETRIA

Imagem do Artista Brno Del Zou

Desde pequeno, crescido, ou talvez crescido. E agora? Velho? Maduro? Imaturo?

Toda vez que se sentia sozinho, parava para pensar se era homem ou menino. Se ainda haviam resquícios de uma infância vivida, ou talvez nem tanto, naquele corpo agora já com sinais da idade.

Sabia que era metade homem e metade menino. Não tinha como negar. O seu corpo havia se adaptado a essa dualidade e se uma linha imaginária dividisse ele ao meio, ele seria direita homem, com as tão faladas “marcas de guerra” e esquerda menino, a pureza e a perfeição.

Essas “marcas de guerra”, suas histórias, eram tudo aquilo vivido. Sofrimentos, medos, angústias, anseios e o tão “esperado” crescimento. O outro lado de ver a vida. Talvez um pouco menos positivo, ou talvez um pouco menos iludido. Não sei. Pouco ele sabia afirmar sobre isso, sabia apenas que da vida já tinha vivido de tudo.

E esse tudo o fez assim. Um “monstro” dentro de si, que o fazia ser quem era. Que o fazia metade homem.

E a pureza. Essa pureza de dentro, que busca na natureza um meio de fugir da maturidade. Que busca no oceano, um jeito de deixar o mundo para trás e encontrar o que de mais puro havia — aquele menino que um dia não teve preocupações, que não teve marcas — era o que ele queria.

Eu sempre acreditei que o mar era acumulador de memórias. O mar é onde você se “limpa” de tudo que pesa e te faz mal. E ele leva para longe, talvez para alguém, ou talvez para o nada. Sentimentos que grandes demais, não eram suficientemente suportados por um corpo humano. E eu tinha a impressão que era isso que ele fazia.

Ele se limpava a cada onda e se conectava tão firmemente com si mesmo, que todo o homem que havia em si, se perdia para ser menino.

Parte dele ficava ali, naquele momento, e depositado no mar, ele estava no mundo.

Ele era mutável por isso. Recebia sentimentos de todos e, a cada nova entrada no mar, saia um eu diferente do que havia entrado.

Quebrado ao meio, no fundo, ele só não sabia que esse “quebrado” de pejorativo não tinha nada. Ele havia vivido a vida como ela tinha sido destinada a ele. E esse viver, era o que fazia ele ser. Apenas ser, o que quisesse.

A fome de ser essa dualidade de homem menino era o que ele tinha de mais especial, porque fazia dele duas metades, que se equilibravam em uma sintonia de metades.

Ele era dois, completamente diferentes, que o faziam completo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.