MÚSICA E DADOS

A frieza da tecnologia potencializando a sensibilidade da música.

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Quando as pessoas escutam que trabalhamos com música, é comum o pensamento de que temos nossos olhos (e ouvidos) voltados somente para as nuances e a emoção que vem da melodia, do ritmo, dos timbres, das notas e dos arranjos. Mas não é beeem assim.

É claro que estamos aqui por causa da paixão pela música, mas é preciso dedicar um bom tempo também para o impacto que essa música tem no desempenho dos nossos clientes.

Afinal, não é apenas música, é music branding.

Em bom português, essencialmente o que fazemos é criar playlists que ajudem nossos clientes a atingir o seu objetivo, seja ele se tornar a maior referência musical possível para o consumidor de determinado nicho, proporcionar uma melhor experiência de compra ou simplesmente vender mais.

E apesar do investimento crescente em music branding por parte das empresas, um dos grandes desafios que nosso mercado ainda enfrenta — uma vez que música é essa experiência subjetiva e emocional — é conseguir medir os resultados que a trilha sonora traz para a marca, seja em termos de branding, produtividade dos vendedores ou, o mais importante, no aumento de vendas.

Poucas ainda são as pesquisas que trazem resultados importantes.

Um exemplo, é uma pesquisa recente conduzida pela HUI Research mostrando que uma trilha sonora composta por músicas — desde as mais conhecidas até algumas novidades — que casem bem com a marca e a atmosfera esperada do ambiente tendem a aumentar as vendas em até 9,1% em relação a uma trilha que contém apenas as músicas mais conhecidas e que não tem nenhuma ligação com a marca.

Fonte: HUI Research

Percebendo essa lacuna no mercado, decidimos nos tornar a primeira startup de music tech obstinada em descobrir como a música afeta a experiência de compra.


Unindo tecnologia e emoção, nos colocamos o desafio de aumentar a performance do varejo a partir da experiência, entregando não apenas a trilha sonora como um fator emocional para fortalecer a identidade da marca, mas também como uma ferramenta que influencia e impacta na performance de vendas, no comportamento dos consumidores e na produtividade da equipe de vendas.


Nosso grande segredo — que contamos aqui pra todo mundo sem problema nenhum :) — é ter desenvolvido um sistema de curadoria musical que inicia em uma fase de concept e inputs emocionais sobre a marca e se encerra em um dashboard de análise e cruzamento de dados que mede o real efeito da música na loja para criar playlists otimizadas com base no sucesso das vendas.

Desde o início da operação, sempre soubemos da importância de entregar dados consolidados nos relatórios de performance da trilha sonora das marcas.

Por isso, logo após desenvolver um player de reprodução musical, o primeiro grande investimento a ser feito em tecnologia foi no desenvolvimento de um Dashboard onde é possível analisar — em tempo real — as lojas que estão ativas e utilizando o player, as playlists mais ouvidas e, também, as músicas mais curtidas ou mais puladas em cada loja.

Print do nosso Dashboard.

Assim, a equipe de curadoria recebe os feedbacks e já consegue ajustar a trilha sonora da loja no mesmo momento.

Com a necessidade de sempre melhorar nossa tecnologia e mostrar o real impacto da música nas vendas, no final de 2017 a gente se associou à Plugbuy — startup de controle de fluxo no varejo — para rodar um projeto piloto de 3 meses do que chamamos de MusicX em um dos seus maiores clientes: as lojas Gang, marca de moda jovem do RS.


O objetivo do MusicX é cruzar e analisar diferentes variáveis para entender como a música influencia no comportamento de compra dentro de uma loja. O experimento inédito coloca à prova muitas verdades que existem no mercado a respeito da influência da música nas vendas.


As primeiras análises do experimento trouxeram resultados interessantes sobre o comportamento dos consumidores, ainda que não sejam conclusivos sobre o impacto direto da música sobre as vendas.

Um dos resultados diz respeito à língua.

Por 15 dias, foram testadas duas playlists de forma randômica — uma apenas de músicas em português e outra em inglês. Nas análises iniciais, observou-se que o tempo de permanência dos consumidores foi superior em ambas as lojas no momento em que tocavam as playlists contendo apenas músicas em português.

Outros experimentos que foram feitos:

  • Loja em silêncio x Loja com música
  • Playlists criadas por bots x playlists criadas por humanos
  • Playlists com músicas de batida mais acelerada x músicas mais calmas

Apesar dos resultados ainda serem muito incipientes, foi possível observar que a música afeta o comportamento das pessoas dentro da loja, mesmo quando isso não gera um impacto consequente nas vendas.

Por outro lado, um fato que chamou muito a atenção da equipe de pesquisa foi a reação dos vendedores em relação à música.

Em situações extremas, como o dia em que as lojas ficaram em absoluto silêncio, o que se observou com base no feedback dos próprios vendedores foi uma alta taxa de desmotivação e, por consequência, menor produtividade — o que seria um indicativo do fator de alteração de vendas observadas nestes dias — e o medo de não atingir a meta do dia em virtude da ausência de música, o que segundo eles, dá o ritmo para as vendas.

E essas são apenas algumas das descobertas que o estudo vem nos trazendo, mostrando que podemos sim utilizar a frieza da análise de dados para melhorar ainda mais a experiência de algo tão emocional quanto a música. Na verdade, acreditamos que esse seja justamente a “fórmula secreta” para uma curadoria bem feita: juntar o lado mais sensível da música com a precisão que só a tecnologia poderia oferecer.


Ao longo de 2018, o nosso foco está em consolidar o MusicX como a ferramenta de music branding mais efetiva do mercado brasileiro.


Para isso, além do crescimento da equipe de desenvolvimento, estamos levando o experimento para mais lojas e também para outros segmentos que não apenas o varejo.

Em fevereiro, começa um novo estudo focado no setor de bares e restaurantes com o objetivo de medir o impacto da música no consumo de determinados tipos de bebidas.

Com os resultados em mãos, o próximo passo é desenvolver uma inteligência artificial que, a partir de inputs humanos, consiga entregar playlists mais assertivas baseadas também em dados reais e não apenas no gosto musical dos curadores, transformando a música de fato em uma importante ferramenta de vendas.

Mas isso já um papo pra oooutro texto…

Vai acompanhando a gente por aqui pra saber como todos esses projetos se desenrolam. Esperamos que nossas pesquisas e conteúdos estejam ajudando a mostrar cada vez mais que a música importa! E se você por acaso é varejista, se identificou com as questões propostas por esse texto e quer trocar uma ideia, pode nos chamar, viu?

Vai ser um prazer falar de música com você :)

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Se você curtiu esse post, que tal apertar os “aplausos” aí embaixo pra fazer com que ele chegue a mais pessoas? :)

Aliás, se você ainda não nos conhece, nós somos o Bananas, a primeira empresa brasileira especializada em estratégia e curadoria musical pra marcas no Spotify. Conheça o nosso site ou entre em contato pelo Facebook, Spotify ou Instagram.