PLAYLISTS COMO PLATAFORMAS DE CONTEÚDO.

Experiências muito maiores do que apenas uma lista de músicas.

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A gente já vem falando há um bom tempo nos nossos conteúdos sobre como o streaming veio para ficar, sobre como ele transformou completamente os hábitos de consumo de música e sobre todas as portas que se abrem com essas transformações.

Bem no centro de tudo isso estão as playlists, que ganharam absurda importância nessa nova era e servem cada vez mais como uma espécie de regulador de humor.

Se você está na fossa e quer se afundar de vez nela: uma playlist de músicas tristes. Se você está precisando se concentrar em uma tarefa difícil: uma playlist de músicas calmas para focar. Se você está precisando de um gás na academia: uma playlist de músicas upbeat para malhar.

E assim com praticamente todas as atividades/sentimentos das nossas vidas.

Como consequência, muita gente está viciada em criar as suas próprias playlists perfeitas para cada momento do dia, nomeá-las de forma criativa e adicionar belas capinhas que as representem bem. Uma atividade que pode acabar se tornando um dos hobbies preferidos dos viciadinhos em música.


Mas nem todo mundo tem tempo, paciência ou até vontade de ir atrás de todas as faixas, juntá-las em uma mesma playlist, pensar em nome, capinha, etc. E Para esse segundo tipo de pessoa existe uma solução muito mais simples: escolher entre as infinitas playlists já existentes nas plataformas para seguir.


Como consequência, existem playlists que acumulam milhões de seguidores fiéis ao longo dos anos, sempre sedentos pelas novidades que os curadores em quem confiaram tem para lhe apresentar.

Com o passar do tempo, algo interessante começou a acontecer com algumas dessas super playlists: uma forte cultura foi criada ao redor delas.

Vamos pegar a RapCaviar como exemplo.

A playlist divulga os artistas e os artistas divulgam a playlist.

Ela já era uma sensação graças aos seus milhões de inscritos, capaz de ter uma influência grande em quem poderia ou não poderia estourar e dar certo na música. O Spotify notou isso e fez com que a play crescesse ainda mais.

Em 2017, a playlist — uma das maiores da plataforma — foi renovada, ganhando um novo design, uma marca própria e até uma equipe de produção exclusiva. Foi dado de vez o status de sub-marca à já famosa RapCaviar.

Além disso, agora essa “lista” não é mais só de música. Com conteúdo editorial, videoclipes verticais, uma turnê de seis cidades pelos EUA e mais de dez milhões de inscritos, a RapCaviar provou que a playlist pode ser muito mais do que apenas uma coleção de músicas atualizadas uma vez por semana.


As playlists passam a ser grandes portais editorais que servem de ponto de encontro para uma comunidade engajada no seu conteúdo — que como mencionamos, vai muito além da música.


Segundo o próprio Spotify, todo esse movimento acabou dando bem certo.

O envolvimento do usuário e o conhecimento da marca para a RapCaviar dispararam desde a adição de vídeo. É a segunda playlist mais popular do serviço de streaming e também um catalisador de novos hits: as músicas adicionadas no início da playlist chegam facilmente ao topo da Billboard Hot 100.

Depois dessa primeira iniciativa, qual seria o próximo passo? Conquistar um continente inteiro. Assim, o Spotify repetiu a fórmula com a Viva Latino, focada em música latina e agora contando também com uma grande estrutura de produção.

A iniciativa, sempre bem pensada, acontece com alguns dos maiores nichos musicais da atualidade — nesse caso o rap e a música latina. Isso nos mostra como ter toda essa estrutura exclusiva a disposição pode não ser nada barato para a plataforma, mas ainda assim algo que vale a pena ser colocado em prática.

Além disso, temos mais um exemplo, e esse aqui mesmo no Brasil.

Há pouco tempo, o Spotify divulgou o projeto Escuta as Minas, que vem acompanhado de um site com um clipe inédito e diversos vídeos com depoimentos de 11 artistas brasileiras. Além disso, o portal também conta com várias playlists de artistas brasileiras e internacionais.

Tudo isso com o objetivo de dar voz e vez às mulheres da música brasileira, que são muitas e absurdamente fodas (já falamos sobre isso no nosso Music Trends: O Presente é Feminino).

O projeto do Spotify reúne nomes como Karol Conká, Elza Soares, Maiara & Maraísa, MULAMBA e Mart’nália. Além delas, outras três artistas brasileiras homenagearam grandes ícones de diferentes gerações. As Bahias e a Cozinha Mineira retrataram Chiquinha Gonzaga, enquanto Tiê prestou tributo a Maysa, e Lan Lanh a Cassia Eller.


A partir de tudo isso, a gente consegue imaginar qual pode ser o futuro das plataformas de streaming. Elas passam a oferecer experiências muito maiores do que apenas uma lista de músicas para o usuário escutar — tudo o que gira em torno dessas músicas também diz respeito a elas.


E falamos de futuro por essas ainda serem iniciativas isoladas, mas esse futuro, na verdade, já chegou. Inclusive aqui no Bananas: a playlist Música Brasileira Pra Gringo Ouvir, presente no nosso Spotify quase que desde o nosso comecinho, se tornou uma plataforma de conteúdo.

Essa vontade de criar um report que apresentasse um pouco dos nossos artistas independentes brasileiros favoritos é antiga. Trocando ideias sobre como poderia ser o formato desse material, chegamos à conclusão de que faria muito sentido aprofundar uma “marca” já existente dentro do nosso guarda-chuva em forma de playlist e transformá-la em algo mais.

A pergunta é simples: o que você apresentaria quando um gringo recém chegado no Brasil te pedisse indicações de sons brasileiros interessantes surgidos nos últimos tempos? Saberia o que dizer?

Resolvemos fazer o exercício de responder essa pergunta imaginária mensalmente através de um report, no qual selecionamos 5 artistas e 1 de seus lançamentos para destacar. Assim, essa playlist que sempre apresentou o melhor da música Brasileira agora existe também em formato de report.

Mas amanhã ela pode se tornar uma série documental, e depois uma coletânea de inéditas, e depois um festival, e assim infinitamente.

Esse movimento abre novos caminhos para artistas, para produtores, para curadores e até para as marcas que souberem interagir com as grandes marcas que as playlists também estão se tornando. Então não custa nada ficar ligado pra depois não dizer que não sabia. heheh

O que vai acontecer lá pra frente a gente não sabe, mas uma coisa é fato: estamos sempre de olhos e ouvidos muito abertos para os novos caminhos por onde a música vai seguir. E ela sempre dá um jeito de seguir.

Bora descobrir juntos?