Juvandia Moreira, primeira mulher a presidir um dos mais combativos sindicatos do país

Juvandia Moreira

Foram sete anos de mandato. Primeiro, como interina, depois, por duas gestões consecutivas, em que obteve em cada uma das eleições 84% dos votos. Primeira mulher a presidir um dos mais combativos sindicatos do país, Juvandia Moreira, agora, se prepara para deixar o cargo com a sensação do dever cumprido.

E foram inúmeras as conquistas neste período: ganhos acima da inflação (10,4%), no piso salarial (25,1%), no Vale Refeição (22%), no Vale Alimentação (23%) e na parcela fixa da Participação nos Lucros e resultados PLR (34%), na parcela adicional do PLR (31%), além de isenção do Imposto de Renda da PLR para quem ganha até R$ 6.677,55. “Numa época de ataques a direitos, com os banqueiros querendo voltar com a política de reajuste abaixo da inflação, foi uma vitória fechar um acordo de dois anos, em 2016, garantindo aumento real para a categoria neste ano.”

Nestes sete anos, Juvandia e a diretoria focaram também em questões que vão além das econômicas. “Nossa preocupação é olhar o trabalhador como cidadão”, diz a presidenta, lembrando uma série de mecanismos criados para combater o assédio moral; para ampliar a licença maternidade para seis meses e a licença paternidade para vinte dias; para garantir a segurança, a saúde e o acesso à cultura do bancário.

“O assédio moral na nossa categoria é uma realidade. A cobrança de venda de produtos para atingir metas abusivas gera um adoecimento enorme para os trabalhadores. Agora, o banco está proibido de fazer essa cobrança via celular. Também conseguimos a proibição da divulgação dos rankings individuais e reduzimos o prazo de resposta para denúncias de assédio moral.”

Uma das conquistas mais importantes, nessa área, para Juvandia, foi a licença maternidade de seis meses, que entrou em vigor em 2010. “Hoje, 94% das bancárias tiram seis meses de licença maternidade, justamente porque o Sindicato dialogou com os bancos. Essa segurança que elas têm de sair sabendo que não serão prejudicadas em suas carreiras foi fundamental porque não queríamos que fosse uma conquista vazia.”

A presidenta lembra a criação, em 2013, de um grupo de trabalho para analisar os motivos de afastamento por questões de saúde. “Ter esse diagnóstico foi fundamental porque a gente dizia que o bancário adoecia e os bancos argumentavam que não era por culpa deles.”

A qualidade de vida dos bancários é tão importante para o Sindicato, segundo Juvandia, que já foram realizados dois censos com a categoria. “Trata-se de um retrato desses trabalhadores. Isso faz a Fenaban olhar pra isso também, já que o censo é feito pelos bancos.” Segundo ela, o estudo mostrou uma triste realidade: “Os salários das mulheres são 24% menores que os dos homens. E estamos lutando para colocar fim a essa desigualdade”.

De acordo com Juvandia, o Sindicato está sempre em sintonia com a categoria, graças à presença constante nos locais de trabalho e às consultas que realiza regularmente com os bancários. “Temos uma média de 15 mil questionários respondidos. Isso é fundamental pra sabermos que estamos no caminho certo, discutindo aquilo que o bancário quer.”

Ela afirma que quando começou havia poucas mulheres no comando, mas hoje elas presidem os sindicatos dos bancários de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de Pernambuco, além da Federação de São Paulo e de Minas. “Isso é normal hoje, tanto que temos uma candidata a presidenta nas próximas eleições”, diz Juvandia sobre Ivone Silva, candidata à presidência da Chapa 1 — Resistência e Luta ao Lado dos Bancários. Ivone está preparada para isso. Acompanhou as duas últimas negociações das nossas campanhas salariais. Os bancários estarão em boas mãos com ela.”