MEDITAÇÃO

Ouço muita gente dizer que não sabe meditar. Eu, por muito tempo, também achei que não sabia e passei anos acreditando que precisaria me matricular num curso pra aprender.

Graças a Deus, durante minhas aulinhas de yoga (lindas, amadas, adoradas, salve, salve!), pude entender um pouquinho sobre como essa coisa de ‘aquietar a mente’ funciona.

Aprendi que nossa mente fica que nem uma rua engarrafada, cheia de pensamentos ocupando os espaços por onde poderia haver circulação de idéias e soluções — ela está sempre ligada em algo do passado ou do futuro.

Quando ouvi isso pela primeira vez, achei que fosse exagero, mas comecei a reparar que, realmente, estava sempre pensando no que “deveria ter feito, fiz, esqueci de fazer quando saí de casa, ou de manhã, ontem, anteontem, ano passado” ou no que “deveria fazer, ou me preparar pra fazer pra reunião daqui a meia hora, pro almoço mais tarde, amanhã, ou quando estiver velhinha”.

Então, pelo que entendi, aquietar a mente é um exercício de trazer a mente pro presente e parar de gastar energia em coisas que já passaram ou ainda não existem. E o modo mais simples de fazer isso é prestar atenção na respiração e nas batidas do coração.

Esse negócio que dizem por aí que, pra meditar, é preciso “calar a mente” é impossível de se fazer porque nossa mente foi feita pra pensar. O problema é que ela pensa demais!

A dica mais preciosa que tive na minha primeira tentativa foi: imagina que a sua mente é uma árvore, cheia de galhos, e que cada pensamento é um passarinho. O segredo não é evitar os passarinhos e sim espantá-los, não se fixar neles. Se sentir que começou a prestar atenção no passarinho: “ah, que bonitinho, que peninhas lindas, que biquinho fofo, que cores!” — enxota ele pra longe!

A tendência é a gente ficar vendo um monte de passarinhos pousando e voando, mas o foco deve ser sempre na respiração. Começou a ver passarinho, volta pra respiração. Veio outro passarinho, volta pra respiração. Eles vão sempre estar lá e o treino é manter a atenção “no agora” (na respiração, nas batidas do coração, nas sensações do corpo, etc).

Colocar as mãos no coração pode ajudar a se concentrar no começo. Depois basta fechar os olhos e respirar. Como o treino é trazer a mente pro presente, faz parte do processo prestar atenção nos sons (não é necessário parar de pensar e nem ficar surdo!): os carros passando, sirene tocando, pessoas conversando, pingo do ar condicionado batendo na janela, cachorro latindo, etc. Dizem que, com o tempo, é possível meditar o dia todo — trabalhando, comendo, tomando banho, dirigindo…

Comecei por três minutos diários e depois viciei, sinto falta de meditar. Pra mim, meditar é me conectar comigo, com o meu silêncio, a minha paz. É como se fosse um presente que dou pra mim mesma e fico tão feliz que acabo agradecendo a oportunidade de estar ali me encontrando. Quando vejo, já estou em prece, oração, pedindo praquela bênção se espalhar pro mundo todo.

Noutro dia ouvi que meditar nos traz pra perto da nossa essência. Quando o bebê está na barriga da mãe, ele está direto em contato com a sua essência. Depois que nasce, o mundo acaba tirando ele desse “estado meditativo” e o atraindo pras coisas “de fora”. A gente é tão atraído pra fora, que esquece de “voltar”. Meditar é se voltar pra dentro e é dentro que encontramos a paz. Espero que todos possam encontrar a sua.

Com amor,

Bárbara Eiras

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Texto escrito em março de 2015