O BUDA

Ontem estive numa roda cantando e ouvindo histórias. Ouvi que o homem, com o mesmo cérebro e corpo de hoje, surgiu há cerca de 400 mil anos. Se levarmos em conta que a luz elétrica apareceu há menos de 200 anos e a TV não chega a 100, o que fazíamos todas as noites, esse tempo todo, desde que o homo sapiens surgiu na Terra? Nos reuníamos pra ouvir e contar histórias — essa era a forma de fortalecer os laços, divertir, transmitir ensinamentos, valores e provocar reflexões.

Uma das histórias que ouvi ontem dizia que há muitos e muitos anos havia, no Antigo Tibet, um monastério onde os jovens monges estavam ´desgovernados´. Faziam o que queriam, fumavam, bebiam, usavam drogas, estavam sempre brigando, se alimentando mal, se maltratando. Desrespeitavam a natureza, maltratavam os animais, desobedeciam aos cuidados e recomendações dos mais velhos.

Depois de empenhar todos os seus esforços em vão, o monge mais antigo saiu em viagem para encontrar seu mestre, em busca de uma solução. O velho mestre ouviu o relato, silenciou, meditou, meditou, meditou, e meditou….

Ao abrir os olhos, disse ao monge que, em seu monastério, havia um buda. O pobre monge se horrorizou ao pensar no buda em meio a tantas condutas desequilibradas, tão mal orientado e perdido, sob sua responsabilidade.

De volta ao monastério, pediu que os monges se reunissem e disse: “estou certo de que um de vocês é o buda”. Todos se espantaram com a notícia e o velho monge continuou sem saber o que fazer.

Chocados, os jovens passaram, então, a adotar um novo comportamento. Não ofereciam mais drogas nem se envolviam em brigas, pois não se imaginavam dando um tapa na cara do buda, nem provocando nele a vontade de fazer qualquer coisa que pudesse corromper suas virtudes.

Em pouco tempo o monastério passou a ser o exemplo de cumplicidade, gratidão e confiança ensinados pelo mestre, se tornando referência aos monges de toda aquela região.

Voltei pra casa feliz por ter ouvido essa e outras histórias que me fizeram lembrar do buda que existe em mim. Em tempo de eleições, torço pra que possamos escolher líderes que despertem o buda que existe em nós.

Com amor,

Bárbara Eiras

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Texto escrito em outubro de 2018