SER FELIZ. POR QUE NÃO?

Desde pequena, sempre fui “perdida”. Não sabia o que queria, não tinha preferência, não gostava de nada, estava sempre tudo bem. Se me perguntassem alguma coisa, qualquer coisa — desde “qual o seu sorvete preferido?” até “vai fazer vestibular pra quê?” — as respostas eram as mesmas: “não sei”, “tanto faz”, “sei lá”, “o que você preferir”.

O tempo foi passando e a vida transcorria sem paixão nem entusiasmo. De vez em quando fazia alguma viagem inesquecível pra sobreviver à mesmice. Nas viagens, parecia que estava vivendo a vida de outra pessoa: tudo era tão bom, tão interessante, tão divino! Mas passava tão rápido que dava vontade de chorar.

Achava que essa coisa de “ser feliz” era mentira, coisa de gente que falava que era feliz só pra tirar onda e se sentir melhor que os outros: tipo Revista CARAS. Eu tinha tudo o que todo mundo queria — diplomas, emprego estável, chefe gente boa, salário maneiro, horário flexível, trabalho que não gastava os neurônios — e continuava achando tudo chato. Prova de que a tal felicidade não existia.

Parte de mim dizia que eu “não tinha motivos para reclamar” e outra que “era impossível continuar vivendo assim”. Mas não conseguia identificar nada de errado. Ouvia dizer que ‘as respostas estão dentro da gente’ e quase morria de ódio porque me perguntava, me perguntava, e não ouvia nada.

Um dia, dei cara com uma foto minha de criança, reparei o brilho nos olhos e pensei: “o que é que eu tô fazendo comigo?”. Era o que bastava pra eu me rebelar. Resolvi pôr o pé na estrada: se essas respostas existissem, eu daria um jeito de encontrar!

Abri bem os olhos e os ouvidos e não dispensei nenhuma oportunidade de obter informações sobre mim. Analisava se a fonte ia me fazer mal e, se não fizesse, minha maior ferramenta era o “e por que não?”. Se mal não faria, por que não experimentar? O máximo que poderia acontecer era continuar na mesma. E ‘na mesma’ já não prestava mais….

Uma amiga insistiu que eu fosse a uma astróloga, eu não queria, mas…. “e por que não?”. A astróloga disse que yoga, meditação, homeopatia, etc, fariam bem pra mim, eu não acreditei, mas… “e por que não?”. A professora de yoga oferecia ‘terapia energética’, eu não sabia o que era, mas…. “e por que não?”. A leitura de aura me disse que não tinha nada de errado comigo e sim com o que eu fazia, eu achei aquilo estranho, mas…. “e por que não?”. Ela me recomendou fazer uma constelação familiar, achei aquilo uma loucura, mas…. “e por que não?”. A terapeuta me falou que estava abrindo um curso de formação e que o curso mudaria a minha forma de ver a vida, eu achei um absurdo, mas…. “e por que não?”. “Por que não?” “Por que não?” “Por que não?”

De tanto investigar, fui me conhecendo e descobrindo que eu tinha vontade. Não sabia explicar ‘por que’ tinha vontade, mas de ‘querer’ em ‘querer’, acabei me encontrando. Recuperei o brilho nos olhos e não me sinto mais perdida. Sei o que me agrada, só não planejo nada. Descobri que o acaso é meu amigo. As pessoas me acham maluca e as entendo, pois em muitos momentos, eu mesma achei isso de mim.

Mudei minha forma de ver o mundo, de ver a vida, de entender as coisas, de me entender. O mais engraçado de tudo é que, depois de tantos cursos, vivências e workshops, a única coisa que sei é que nada sei. Mas nunca me senti tão viva!

Entendo que cada um deve percorrer seu próprio caminho e usar as ferramentas que possui. O que funcionou pra mim nem sempre vai funcionar pra outra pessoa, pois cada uma tem a sua história, sua forma de enxergar o mundo, sua verdade.

O que posso garantir é que as respostas existem e que é saudável ‘não se render’. Se alguma coisa perturba nossa paz interna, vale a pena arriscar. Ser feliz não é mentira.

Com amor,

Bárbara Eiras

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Texto escrito em agosto de 2014