SONHOS, AMOR E EGOÍSMO

Hoje ouvi mais uma pessoa falando sobre projetos, vontades, sonhos, que são postos de lado e esquecidos na gaveta.

Ontem estive almoçando com amigas que estavam expondo as idéias, que tinham acabado de ter, para que fossem colocadas em prática antes que se perdessem. Uma delas me falou que já havia tido algumas idéias que foram adiadas por falta de tempo ou por achar que não tinham tanta importância e, dias depois — por mais de uma vez — se deparou com sua inspiração materializada por outra pessoa: “é assim, se a gente não coloca em prática, outra pessoa vai e faz”.

Ontem à noite, o assunto acabou vindo à tona novamente. Dois projetos lindos com tudo pra dar certo sendo adiados por falta de tempo e confiança. O cenário? A dona dos projetos estava dedicando todo seu tempo e energia para atividades que não lhe faziam tão bem.

Com tanta repetição do tema, começo a pensar sobre os projetos e vontades que ando guardando na gaveta pelos mesmos motivos. Lembrei que há poucos dias estive numa atividade terapêutica onde era proposta uma reflexão sobre os motivos que nos impedem de nos dedicar à criação, à arte. A maioria dos impedimentos girava em torno da falta de foco e perseverança.

Interessante é que ouvi dessas pessoas o quanto se sentem frustradas por não colocarem em prática seu plano pessoal, como se desperdiçassem a chance de serem felizes de verdade, como se jogassem fora o bilhete premiado da MegaSena. Percebi que sinto o mesmo!

Interessante também é que todas — inclusive eu — sabemos o peso da frustração de não dar andamento a esses projetos. E por que não damos? Era um caso a se pensar.

Andei lendo uns livros sobre autossabotagem em que se fala muito sobre o foco no momento presente, no “poder do agora”, que virou bestseller. O segredo, como sempre, é dar pequenos passos em vez de esperar “o dia” pra dar “aquele passo”. E, mais uma vez, por que é tão difícil?

Acho que me sinto culpada. Culpada por estar me dedicando a dar um passo em direção a felicidade, ao sucesso e a autorrealização quando a maioria das pessoas só enxerga e vive o contrário. Sei que essa culpa não é só minha, ela está entranhada no inconsciente coletivo em que estou mergulhada, e meu desafio é me desconectar dele e me ligar em algo maior.

Em meio aos pensamentos, lembro que hoje mesmo li o trecho de um livro que diz: “a infelicidade é destrutiva, a felicidade é criativa. Existe somente uma criatividade, e essa é a da bem-aventurança, do contentamento, do deleite. Quando você está em deleite, deseja criar algo, talvez um brinquedo para crianças, talvez um poema, uma pintura, qualquer coisa.”

Fechou direitinho com a reflexão sobre a importância de se dedicar um tempo à criação e sobre a culpa de se sentir feliz numa sociedade doente. A mesma sociedade que ensina que dedicar um minuto pra si, se cuidar, se amar, é algo ruim.

Ao deixar a culpa de lado, e focar no que de melhor posso fazer por mim agora, começo a colocar essas palavras no papel. Nada mais prazeroso do que sentir a alegria de expressar o que vem da alma.

A alegria se estende com a leitura, que prossegue: “esqueça-se do mundo, da sociedade, das utopias, de Karl Marx. Esqueça-se de tudo isso. Você estará aqui somente alguns anos. Desfrute. Deleite-se, seja feliz, ame e dance. E, a partir do seu amor e da dança, a partir de seu profundo egoísmo, começará a transbordar de energia. Você será capaz de compartilhar com os outros.”

“Eu digo, o amor é uma das coisas mais egoístas que existem” (Osho — Liberdade, amor e solitude — cap. 3).

Com amor,

Bárbara Eiras

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Texto escrito em maio de 2016