Uma vez li que amar é atirar-nos de um precipício sem saber se estará alguém, lá em baixo, para nos segurar.

Reli três vezes, fazendo pausas sincronizadas entre sílabas. A honestidade que ecoa a provérbio popular, fez-me contabilizar quantos joelhos fulados existiriam.

Vivo numa enfermaria.

Uma vez tive a sorte​ de ter sido apanhada cá em baixo, desde então quis ficar num recobro permanente. Pedi anestesia geral, lembro-me. E aos poucos, meio grogue, quis acordar ao som de Mallu, lembras-te? Aquele português​ com açúcar — “eu sei que é complicado amar tão devagarinho, mas se a gente vai juntinho a gente vai bem” — faz-me sempre querer voltar a saltar.

Acho que só há uma saída. Aprender a voar. Ter asas é a esperança disfarçada, e eu que sempre acreditei em unicórnios, lembras-te?