Quando nosso mundo perde a cor

Vejo um mundo quase sem cor, se não fosse as pequenas pinceladas que alguém ali e aqui me dão para sentir um pouco de vida dentro de mim.

Confesso, não vejo razão para fazer mais nada. Não vejo propósito em levantar da cama, escovar os dentes e sentar na sala para ver tv.

O “não fazer nada” cansa. E piora se eu não souber por quanto tempo isso irá durar.

E não entendo, toda a cor que eu via antes colorir meus dias, vejo hoje apenas me angustiar por saber que não é mais a mesma coisa.

Nossos mundos individuais e particulares precisam de cor para viver. Alguns podem respirar apenas cores neutras, outros cores vivas, mas todos precisam de uma pequena aquarela para viver. E, pouco a pouco, vejo minhas cores sumirem.

Vejo minhas flores ficarem cinzas. Meu céu ficar ficar num tom pálido. Meus sentimentos perderem a força e ficarem num sem graça e nada poético preto e branco.

E assim me vejo num mundo descolorido. Que confesso, mantém a singela beleza da melancolia e da pequena esperança dos tons que ainda sobrevivem. Mas ainda sim, se descolorindo.

E eu espero, que antes de eu me afogar nesse mar monocromático, eu consiga recuperar as cores da minha pequema aquarela interior.

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