O PASSAGEIRO

Lá vou eu contar mais uma daquelas histórias que acontecem quando pego ônibus pela madrugada. Dessa vez é sobre amor. Sim, ele existe! Mas não é para todos (aliás, é para quem quiser ter em suas diversas formas).

Vocês já viram um senhor, ops.. senhor não. Ele não gosta de ser chamado assim. O moço que toca músicas MPB no conjunto nacional, tradicionalmente às 17h da tarde todos os dias? Pois bem, hoje voltei sentada ao lado dele. Apelidei ele de Pinha, não entendi muito bem o nome por que estava voltando do carnaval e não preciso justificar as condições em que me encontrava. Enfim, o Pinha me contou sobre sua história de vida: nascido no RJ ele me explicou que nem todos que nascem lá é realmente carioca da gema, existem os bairros certos para tal definição. Em um desses bairros ele foi um achado para um produtor de SP, que o convidou para tocar guitarra em um dos bares do centro. Após alguns anos, foi convidado a montar uma banda aqui em Brasília, onde ficou na asa norte e inclusive apareceu no Correio Braziliense. A primeira coisa que olhei foi a foto, era da Zuleica. haha

Em uma dessas indas e vindas da carreira, com todas as viagens que fazia para divulgar seu trabalho, Pinha conheceu sua esposa fora do Brasil, o nome dela é Fátima. Ele se casou aos 17 anos e ela com 16. Na época, por serem novos ela veio com ele para cá. Tiveram 7 filhos, seis meninos e uma menina. Todos os nomes tinham em sua fonética “son” no final, não vou lembrar de todos os nomes agora mas a maioria virou engenheiro e advogado, “apenas um puxou o lado vagabundo do pai, virou jogador de futebol”, lembra Pinha. O filho jogou para o Corinthians e depois foi para o Palmeiras (achei inaceitável, mas isso é outra história hahaha).

Pinha que usava óculos escuros com armação amarela, nessa hora tirou os óculos e me contou que Fátima era de parar o trânsito. Seus olhos brilhavam e acredito que há 36 anos atrás tinham o mesmo brilho. Perguntei para ele se ainda gostava dela, e ele me respondeu: “ela que gosta de mim, eu amo essa mulher!” me deu um beijo no rosto e se despediu falando para aparecer no conjunto e “bater um retrato” dele qualquer dia desses. Ele me mostrou um lado de aceitação e companheirismo presentes no amor que não conhecia, além dos meus pais. Obrigada Pinha por mostrar que sempre é carnaval no coração de quem ama!

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