E então ele vem.

Ele chega como quem é de casa mas passou uns meses fora.

Chega de mansinho como quem não quer nada e quando eu vejo, já revirou sala a fora.

Ele chega e eu sempre deixo ele entrar.

As vezes, eu acho que ele nem precisa da minha autorização pra isso. É que ele já tem a chave.

Ele chega, me pede um carinho, eu dou. Me pede um beijinho, eu dou. Me pede uma noite de calor, eu dei.

“O que você não me pede chorando que eu faço sorrindo?” Eu disse.

Ele afirmou ser recíproco.

Mas não era. Nunca foi.

Ele chegou. Chegou e foi embora.

E agora? Eu arrumo a bagunça para uma próxima visita outra hora.

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