Conceitos v. mistério

Quando a sociedade não cria conceitos, os conceitos existentes vão perdendo o vigor. A vida que sobra nas palavras, que vai além dos atributos e funções que os nomes existentes nos permitem expressar, volta-se para a mente e o corpo, vira ódio e frustração — por isso mesmo, frequentemente é racionalizável como se normal fosse. O que não é nominável habita o mistério e temor, que passam a tomar conta de nós — como se a razão e a capacidade humana de se impor sobre as dificuldades da natureza retrocedessem. A vida do mistério ressurge sobre a vida dos conceitos — e a ordem que requer passa a ser a da religião, da fé e do medo — em vez de a ordem a razão, das ideias, das instituições. Ocorre uma espécie de volta à pré-modernidade, como refluxo do mistério nunca revelado. O que se pensou não mais existir agora se converte em nova regra — come pelas bordas, para se reimpor em outros termos.

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