De engasgo se vão

2014

Deitados feito trapos
engasgados,
pelos abutres engolidos
em mais um dia de trabalho.
Sem rabo
sem dente
contente
sem mente
só mente
quem tente
viver
ali.
Se arrisca e rabisca
nas notas fiscais,
jogadas no lixo
e deixadas pra trás.
Crianças na rua
mal caráteres no poder
quem é que faz história
e quem é que vai vencer…
a luta diária,
tributária,
bitolada,
descontrolada,
sina
e desvalorizada.
A corrente
te afoga,
te joga,
e rebola
nessa tua cara
pérfida
incoerente
e valente
de merda.
Acorda
escória,
que amanha 
o dia não é de branco.
É mais de sangue
é mais vermelho
é mais rasteiro
e indigente.
Só sai da escola da vida,
quem sente
o que deve,
e quem paga
o que preste.
Mas no fim 
se adoece
de tanto
deixar.
De lado se deixam
de atravessado se queixam
o tempo não perdoa
e o capital também não.
Ora quem diria
entre os sujos e os mal lavados
é onde se esconde 
todo o nosso pão.

SET.. 14 2014