Esse é, com certeza, o texto mais difícil que eu já escrevi.
Tudo começou depois de uma brincadeira, onde a sensação de posse dominou o ser dele por completo. O ciúmes que eu achava fofo fez as coisas desandarem.
Ele pode e eu não posso, a regra é clara, ele é homem, ele é mais velho, e eu era uma menina apaixonada que aceitava tudo, tudo mesmo.
Chorei quando ele terminou comigo pra ficar com outra, chorei por meses, e quando resolvi viver a minha vida ele pediu pra voltar dizendo que me amava. Claro que eu voltei. Afinal, ele era o amor da minha vida né?
Depois disso vivemos 2 anos e 3 meses juntos. Bastante tempo né? Pra mim parecia uma eternidade. Foram dias (todos) de brigas, de blusa de frio no calor porque ele tinha ciúmes do meu corpo, de cabelo bagunçado pra não chamar atenção, de ligações em qualquer lugar público pra provar que eu não estava com ninguém, de cumprimentar cada homem (inclusive os amigos dele) pela mão porque era um pecado dar um beijo na bochecha de outro homem, de mensagens a cada minuto pra ele ter certeza que eu não conversava com outras pessoas. Todo esse tempo enquanto ele vivia a vida dele como bem entendia.
Sempre me perguntam como eu aguentei, e principalmente o porque de sempre defendê-lo ou de não odiá-lo. Eu aguentei porque levava comigo um falso amor eterno, uma desconfiança de olhos e ouvidos fechados e uma esperança das coisas mudarem. Eu o defendia por todos os motivos anteriores, e porque a vergonha de assumir o que eu passava era maior. E não, eu não o odeio, de fato não viveria tudo de novo, mas levo tudo como aprendizado e seria mentira falar que odeio alguém que amei tanto.
A culpa era minha, ou pelo menos ele dizia ser, e eu acreditava. Eu o tirava do sério, eu não fazia por merecer todo o seu amor, eu que não parava de ligar quando ele sumia por dias, eu que descobria os erros por procurar demais, eu que não suportava passar calor sendo que ele queria me proteger, eu que falei com um amigo dele sem permissão, eu que tenho amigas putas e vadias, eu que não sei me comportar, eu, eu, eu. E eu? Chorava e pedia desculpas enquanto ele me tratava como o monstro que ele escondia ser.
As pessoas me avisavam, me alertavam, tentavam me proteger, mas eu não dava ouvidos. No fundo, eu não queria acreditar que o meu primeiro amor podia me fazer mal e que tudo aquilo era realmente pro meu bem.
Ele dizia que quando eu fizesse 18 anos a gente ia morar junto, eu sonhava que tudo fosse mudar. Felizmente, aos 16 eu tive coragem de colocar um ponto final nessa história. A verdade é que eu levava um amor que já estava esgotado dentro de mim, vivia acomodada em um relacionamento que não me fazia porque ele me fez acreditar que eu merecia tudo aquilo, mas uma hora a vida te faz acordar e te mostra um mundo fora daquilo.
Hoje, eu penso como seria minha vida se eu não tivesse acordado daquele pesadelo em que vivia. Provavelmente não seria um terço da mulher que me tornei, seria dependente de alguém que fingia querer meu bem, não estudaria por ter homens desconhecidos por perto, não trabalharia, não teria amigos por perto, não viveria. Alivia pensar que a minha coragem me tirou de um futuro infeliz para ir em busca do melhor, só precisando de mim, dependendo dos meus conceitos, sendo feliz como eu quero e com as roupas que eu quero.
Antes desse texto, poucas pessoas conheciam essa minha história, eu a escondi por muito tempo pela vergonha que sentia, mas hoje a minha coragem veio a tona de novo, e me deu forças para que com a minha história eu possa ajudar outras mulheres nessa situação horrível. Relacionamento abusivo não pode nem ser chamado de relacionamento, ninguém é obrigado a ser infeliz por alguém, a sua felicidade está dentro de você.
Com amor e compaixão,
Bianca Barini.