Transformações de visual e a supressão do eu como indivíduo — é pra tanto?

Vira e mexe eu me pego vendo um Esquadrão da Moda e quaisquer programas similares, não vou negar que eu adoro as dicas mas, sempre sinto um misto de diversão e dor. É realmente necessário adequar e moldar o estilo pessoal?

Moda é o que se repete mas ao mesmo tempo têm um caráter de novo, de único. Ela ainda carrega consigo um estigma de futilidade, de supérfluo e as vezes até de ser inatingível, é nesse prospecto que eu me pergunto, estamos mesmo falando de moda?

Foi assim que ela surgiu, na Era Vitoriana, exclusivista e alegórica, não que não houvesse moda antes desta data, mas foi neste âmbito que a roda do consumo começou a girar com mais força. Até este momento roupa era fantasia, distinção social e opulência.

Mas chegaram os anos 60, a década da rebeldia e mais uma vez a moda teve que se reinventar. Com o advento do pret-a-porter combinado à reorganização do jovem na sociedade, a roupa virou expressão, virou grito e libertação.

Qual a ligação entre moda de alegoria, pret-a-porter e esquadrão da moda?

Hoje a principal ligação do sujeito comum com a moda é um emaranhado dos conceitos expostos a cima. Geralmente quem odeia moda e tenta ao máximo se afastar dela, são as pessoas que entendem moda como ela ocorria na Era Vitoriana. Para quem gosta e simpatiza com o “efeito” da moda na vida cotidiana, a compreensão está mais próxima dos conceitos de expressão.

Perguntando por aí qual o critério de escolha de peças que as pessoas mais utilizam na hora da compra a resposta invariavelmente será pautada em conceitos de personalidade e “mensagem” ao mundo.

Supondo que, o que eu visto é uma expressão do eu interior e a minha imagem projetada, há uma ruptura, uma perda de identidade quando se é proposta a reformulação de estilo.

Um choque que retira dos pés do participante toda a certeza de existência e impressão, que mais tarde será substituída por uma nova “capa” de estilo engessada que nada diz sobre aquela pessoa.

O que nos aproxima novamente do conceito de alegoria, ou seja, uma separação entre vestimenta e personalidade. Inserir no pensamento das pessoas este tipo de informação, nada mais é que um grande retrocesso, que acaba gerando linha de produção de estilo e comportamento quase compulsório.