A decisão de matar
André Kano
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Reconheço tua dor, e me comovo também.

Há uns anos precisei tomar a mesma decisão, para uma boxer cheia de energia, mãe de 3 filhotes e com os rins sem funcionamento.

Não havia nem pensado na possibilidade de sacrificá-la, mas então a veterinária me explicou como seria a vida da minha pequena dali à frente: dores crônicas, remédios para o resto da existência. E nunca, nunca mais ela seria a mesma, nem conseguiria correr como antes. Ela ia sofrer.

Com ela ainda internada, magra que só, com os olhos tristes e cansados, chorei por dois dias seguidos. Ela era tão novinha, me parecia injusto.

Quando fui visitá-la, me deitei ao seu lado, e ela só mexia o rabinho. Os olhos estavam opacos, e mal conseguia fica em pé. Me lembrei da alegria dessa mocinha, que não tinha hora nem mal tempo, da energia que ela carregava pela casa, pela capacidade de deixar todo mundo feliz.

Dei um beijo e me despedi.

Espero que no céu ela tenha recebido novos rins, para então continuar a sapeca de sempre.

De uma coisa estou certa, nunca irei me esquecer da nossa história, nem dos seus olhos felizes.

Meus sentimentos profundos a ti, e espero que a dor passe quando puder.