Sobre o que queima

As vezes me perco entre dois medos: o de ser extremamente comum ou padecer com a loucura de estar ao paralelo do mundo.
Há tanta vida em mim que a sinto esvair por todos os meus poros. E na loucura de descobrir como lidar com a mesma, sofro espamos cardíacos e calafrios.
Me gera um desgaste de energia sobreviver. Lutar diariamente contra a vontade de sair a esmo, vivendo daquilo que me ensandece e altera os caminhos.
A eterna busca entre a calmaria e a perdição.
Há tanta vida em mim que morro um pouco a cada dia sem vomitá-la.
Há tanta vida em mim que se não a jogar para fora, ela me consome.
A insônia, os pesadelos, o medo latente… Reconheço minha energia vital em cada um deles, tentando a qualquer custo me manter longe e ao mesmo tempo aqui.
Por vezes preciso me lembrar da sobriedade. Mas quando a noite chega, ela se vai, me deixando absorta e bêbada entre meus próprios pensamentos maquiavélicos.
A dor de existir, a dor de ser. A dor que só pode ser transitada através de palavras, numa esperança de que quando acabe a escrita, o aperto do meu peito acabe.
Dores sufocantes. Me mantém entre o delírio e o desespero. Desespero esse que me faz precisar viver. Que me dá vontade de gritar pelas ruas como se nada mais fizesse sentido. Como se minha existência fosse pequena demais.
A dor de ser nada. A dor de estar presa a uma projeção astral que não apenas cega, mas confunde.
Essa dor maldita que me impede o foco nos olhos, na mente, nas mãos. Essa síncope que me enfraquece as pernas, arrepia minha nuca e me faz desfalecer.
A dor de sentir. De trazer pra si todas as dores do mundo.
A dor nas mãos, na ansiedade de usar todas as letras do alfabeto para, sem sucesso, sufocar o que me sufoca.
A dor da razão, que me faz temer o que brota da minha própria alma.
A dor do medo, que me impede de descobrir o que há aqui dentro, e deixar os monstros saírem para em paz viverem.
A dor da empatia, por trazer de volta a energia que emanam. Por alguns segundos pensar em como saras feridas alheias, enquanto as nossas queimam em agonia.
A dor… a dor de se ter uma alma ensandecida, quente, desesperada, vívida e mórbida. Mas que lateja. Que pulsa em busca de algo que ainda não foi descoberto.
Almas que queimam como fogo.