O Início
Por que que no final, tudo
ou quase tudo, se torna saudoso
e/ou nostálgico?
Quem, entre vocês, meus bons,
velhos e decepcionados amigos
nunca se sentiu doce num final?
Namoro, período, ano, colégio ou
até mesmo um final de tarde?
É engraçado como nos conhecemos,
reconhecemos os nossos limites
e capacidades de sentimentos
quando chegamos ao fim.
Já me senti criança num final de vida.
Idoso num final de namoro,
imortal num final de tarde,
invencível num final de período,
derrotado num final de amizade.
E há poucos dias, pensando,
mais uma vez no fim, me deparei
com meu eu velho e de cabelos
grisalhos observando que nem sempre
a proporção que nos doamos num início
torna-se um abraço de agradecimento,
um beijo de “sentirei saudades” ou
um olhar de não ter palavras pois, aquilo
sentido, não há mortal que consiga explicar.
Pois é, pra mim o final nada mais é
que um doloroso, se quiser dor, recomeço.
- Foto por Isadora Barreto https://instagram.com/p/1B2bX1S_T-/